14 de Março de 2011
sobre O Infante D. Henrique e a vila de Lagos
Há historiadores que afirmam que o Infante D. Henrique, quando escreveu num documento/carta “(...) minha vila” se referia a uma sua vila romana que possuiria em Sagres.
Acontece que o Infante D. Henrique não teve nenhuma vila (romana ou não) em Sagres. O Infante D. Henrique teve uma casa simples na Raposeira, perto de Sagres, para quando queria estar sozinho. Agora, na verdade, o Infante D. Henrique possuía uma vila, era Senhor de uma vila, a vila de Lagos. Daí ele escrever com todo o direito “minha vila”.
Acontece que Lagos, no barlavento algarvio, foi sede de Bispado segundo documentos dos Concílios de Toledo dos anos 622, 631-633 e durante os pontificados dos Papa Honório, Papa João IV e Papa Teodósio até à invasão dos mouros que se iniciou, em Lagos, em 716 (vide JP Rocha – Monografia de LAGOS; João Batista Coelho; Faria e Silva – Monografia de LAGOS; JP Rocha; António C. Inglês, prior de Santa Maria). Também o prova a Vila do Bispo que ainda existe, agora já não a típica vila romana com casa senhorial para o Bispo e casas para os seus trabalhadores agrícolas e criados; mas uma vila, sede de concelho no barlavento algarvio.
De 716 a 1241, tempo da ocupação moura na maior parte do tempo, LAGOS passa de sede de Bispado a aldeia, quando D. Francisco Paio Peres Correia, com o apoio de vários reis cristãos, a reconquista de forma definitiva para os portugueses; apesar de ainda existirem muitas tentativas dos mouros para reconquistarem o território.
Em 1258, Alfonso X de Castela doa a aldeia de Lagos ao Bispo de Silves, D. Frei Roberto.
O rei D. Afonso IV faz doação de Lagos a D. Gonçalo Fernandes (Mário Cardo).
Em documento de 05 de Janeiro de 1361, o rei D. Pedro I concede jurisdição própria a Lagos, tornando-a independente de Silves e concede-lhe a designação de Vila e concelho. D. João I deu-lhe o título de Vila Notável a 08 de Fevereiro de 1402, D. Manuel I deu-lhe Foral e Brazão de Armas, D. João III reafirma-lhe o título de Vila Notável em 25 de Agosto de 1535 e el-rei D. Sebastião deu-lhe o título de cidade em 1573. Tinha assento nas Cortes de Évora, no Terceiro Banco.
Em documento de 05 de Março de 1372, Lagos é doada a D. Gregório Premado (Livro D. Fernando/ Batista Lopes).
No ano de 1453, a vila de Lagos é doada ao Infante D. Henrique (MARTINS; 1992; p. 40). Segundo documento de 05 de Março de 1372, a vila de Lagos foi doada a Gregório Premado nesta data e esteve na sua posse até 1453, ano em que passou a pertencer ao Infante D. Henrique.
Em documento de 04 de Agosto de 1464, por morte do Infante D. Henrique, LAGOS – Vila e Castelo – é doada ao Infante D. Fernando, irmão de D. Afonso V (Crónica do Príncipe D. João/ Monografia de Lagos – JP Rocha/ Mário Cardo).
Ainda neste ano, 1464, LAGOS – Vila e Castelo – é doada a D. Diogo, Duque de Viseu e este, por sua vez, doou LAGOS a sua irmã, D. Leonor, por dote de casamento. LAGOS passa assim a estar unida à Coroa Portuguesa, pois D. Leonor passa a ser rainha de Portugal e Senhora de Lagos. (Crónica do Príncipe D. João/ Corografia S. Lopes/ Mário Cardo; Monografia de Lagos – JP Rocha)
vide PAULA, Rui M.; Lagos – evolução urbana e património; edição de Câmara Municipal de Lagos; Lagos, Outubro de 1992.
MARTINS José António de Jesus; A Freguesia de Santa Maria (do Concelho de Lagos) – Estudo Histórico (Monográfico); 1.a edição; Lagos; edição da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lagos; Setembro de 1992.
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