Tenho dois livros já escritos, durante este ano de 2010, desta colecção LAGOS – PATRIMÓNIO E VIDA: Livro I – A História de Lagos até ao século XIV; Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina apenas divulgados em portais; entretanto espero que me seja dada a oportunidade de publicar em livro estes meus trabalhos. O mês de Novembro já está muito próximo; por isso, neste portal, começo por divulgar o Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina.
Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina (I)
Prefácio
Durante este ano, 2010, festejam-se em Lagos e acredito que no resto do país, os 550 anos passados sobre o falecimento do Príncipe Infante D. Henrique.
Este trabalho da colecção LAGOS – Património e Vida tem por objectivo passar a escrito o que foi a vida e a obra do Infante D. Henrique que está toda ela muito relacionada com a cidade de LAGOS.
CAP I - Como surgiu a nobreza?
A nobreza surge na História de Portugal quando os visigodos passam a governar, após a derrocada do império romano na Península Ibérica nos séculos VI, VII.
O senhor da vila, na época romana, era um homem rico que vivia na urbe e se fazia representar na vila por um feitor que levava uma vida melhor do que os homens que trabalhavam para ele, mas que tinha com eles muitas semelhanças: era da mesma raça, falava a mesma língua, tinha os mesmos gostos e os mesmos hábitos. Após as invasões bárbaras, as terras foram divididas pelos vencedores com as gentes que nelas habitavam. Agora o proprietário era visigodo, portanto estrangeiro, desempenhava uma função superior às dos naturais porque era o vencedor contra os inimigos de ambos os povos. Só ele passou a ter deveres militares e só ele podia usar armas. O visigodo não recebia educação literária, só das armas, por tradição e assim a classe eclesiástica passa a ser a detentora do saber e da erudição, conservando a cultura dos antigos.
Leovigildo, rei visigodo, estabeleceu uma nova rede de poderes com os visigodos, a nobreza, reabilitando as antigas províncias romanas à frente das quais foram colocados Duques, sediados nas urbes capitais com autoridade sobre os Condes que constituíam um último elo da cadeia do poder. A guerra e o poder eram a forma de vida dos nobres visigodos.
No entanto, durante o século XIV, todo o sistema medieval foi sendo posto em causa. A nobreza tinha perdido em grande parte, a sua importância como classe militar e não estava preparada para exercer cargos na burocracia do Estado, contudo a coroa portuguesa não podia passar sem ela: era um elemento da dignidade do Estado. Assim foram estabelecidas as contias, remunerações reais concedidas aos nobres para a sua sobrevivência em tempos de paz. A oposição a esta contia da parte dos burgueses, manifestou-se quase de imediato, pois consideravam que este montante, que era elevado para os padrões da época, era proveniente do que eles, burgueses, pagavam à coroa e não estavam dispostos a sustentar quem nada fazia.
As dificuldades por que os nobres passavam, tornavam-nos ainda mais abusadores e eram constantes as violências e reclamações da parte dos expoliados. A última solução a que o nobre podia recorrer era trabalhar, mas isso implicava renunciar à dignidade da nobreza. Havia dois casos distintos: o nobre a trabalhar por conta alheia ou por conta própria como artesão e nestes casos perdia o título de nobre ou o de trabalhar na sua própria terra e aí conservaria o seu título de nobreza.
Enquanto os nobres empobreciam, uma nova classe de ricos-homens ia surgindo: eram os mercadores da cidade e os grandes lavradores das regiões rurais. Os burgueses da urbe estavam em conflito com o povo da urbe e os burgueses do campo estavam em conflito com o povo do campo. Fernão Lopes deixou-nos um texto célebre que resume as transformações sociais que foram acontecendo, principalmente na segunda metade deste século XIV: segundo os autores da época, a história do mundo dividia-se em seis idades e a sexta seria a última. Para Fernão Lopes a revolução portuguesa de 1383-85 começara «a sétima idade na qual se levantou outro mundo novo e outra geração de gentes (...)» ❐ (continua)
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