quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Brazão Quinhentista de Lagos

12 de Agosto de 2010
Sobre O Brazão Quinhentista da Vila de Lagos
"A cidade de Lagos tem Brazão de Armas dado por el-rei D. Manuel I em 1504, quando Lagos era vila. Este Brazão consiste em dois castelos pegados um ao outro, divididos por baixo com um arco em porta. Sobre esta porta está outro castelo como servindo de remate aos dois primeiros. Por baixo dos castelos vêem-se ondas e mar levantado e de cada lado uma lança levantada (MARTINS; 1990). Puseram este Brazão no frontespício da igreja/ermida de Nossa Senhora da Graça, junto da Porta da Vila, devendo concluir-se por ser este edifício público o mais antigo daquele tempo e talvez seja o Brazão a que se refere o Tomo VI da igreja de Santa Maria Tít. 21 que diz ser um escudo coroado. Contudo não há vestígios deste Brazão e dos dois castelos.
Sendo Lagos, Vila Notável feita por D. João I em 1402 parece que este lhe devia dar Brazão de Armas." (MARTINS; 1992; p. 106) ❐
comentário
O Brazão de Armas concedido por el-rei D. Manuel I em 1504, juntamente com o Foral à Vila de Lagos, acredito que representa o seguinte:
dois castelos – a dualidade desta vila entre a vila murada, nobre e com funções defensivas com a igreja de Nossa Senhora da Graça junto à Porta da Vila e o núcleo extramuros, de produção; na altura já com a igreja e paróquia de S. Sebastião.
Outro castelo servindo de remate aos dois primeiros – a única paróquia da vila na fase henriquina, a igreja de Santa Maria da Graça na rua Nossa Senhora da Graça, com a qual o Infante D. Henrique pretendeu unificar a vila a acabar com as inimizades entre os dois núcleos.
Sobre arco em forma de porta – simboliza a igreja de Santa Maria da Graça/a vila de Lagos com porta virada para o mar. Não dois blocos, frente a frente, inimigos; mas agora toda a vila de Lagos virada para o mar, dele recebendo e dele enviando; enfim, vivendo com ele.
De cada lado uma lança levantada – simboliza a defesa de toda a vila que vai ser murada por D. Manuel I mais tarde, em 1520.
Os decisores de Lagos pegaram neste Brazão de Armas e colocaram-no no frontespício da igreja/ermida de Nossa Senhora da Graça, nesta altura sem culto porque eles queriam a situação de dualidade e não gostaram do significado do Brazão, pois para eles aquela igreja era a verdadeira igreja da vila, apesar de abandonada.
Acredito que D. João I deu o título de Vila Notável a Lagos, mas não lhe deu Brazão porque o seu reinado foi pleno de muitas peocupações e ocupações e o início de uma nova dinastia. D. João I não se lembraria de Brazão para nenhuma vila. Acho que não achava isso tão importante. Agora o título de Vila Notável com assento no Terceiro Banco das Cortes de Évora; isso sim era importante para Lagos, mas também para D. João I ter partidários fiéis nas Cortes a defender as suas posições.
Esta é a minha tese.❐
BIBLIOGRAFIA
MARTINS José António de Jesus; A Freguesia de Santa Maria (do Concelho de Lagos) – Estudo Histórico (Monográfico); 1.a edição; Lagos; edição da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lagos; Setembro de 1992; pp. 168.

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