terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina (XII)



Feliz Natal e ótima passagem de ano com muita saúde, alegria, amizade e solidariedade; que o novo ano vos traga a realização dos vossos desejos.
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Mais uma vez venho partilhar convosco este meu trabalho – LAGOS, Património e Vida – com o terceiro livro " Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina" que começou a ser escrito a 02 de Novembro de 2009 e concluído a 10 de Agosto de 2010 que gostaria muito de vê-lo publicado em livro.
LAGOS – PATRIMÓNIO E VIDA
Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina
EPÍLOGO
Foi com a ideia deste livro que iniciei a colecção LAGOS – Património e Vida. Foi Lagos Henriquina e o mistério que envolvia as três igrejas: igreja de Nossa Senhora da Graça, igreja de Santa Maria da Graça e igreja de Santa Maria que são uma única paróquia em tempos diferentes e lugares diferentes, atualmente paróquia de Santa Maria, que me motivaram a desvendar o mistério. Agora está desvendado; já não existe este mistério.
Houve algo mais que me aliciou bastante na escrita deste livro; o facto de que o início da II Dinastia coincide com o início do Renascimento e o Renascimento iniciar uma mudança completa de paradigma que foi fazendo, em Portugal, a gestação com D. Pedro I e D. Inês de Castro, com D. Fernando, a sua esposa e as Guerras Europeias, com o declínio dos poderes da nobreza e a ascensão dos burgos e de uma nova classe de origem mercantil ao poder – a burguesia.
Atualmente também se está a viver tempos de grandes mudanças – mudança de paradigma. Acredito que o novo paradigma do século XV, denominado Renascimento, teve a sua evolução e decadência até ao século XX. Com o Terceiro Milénio, o século XXI está em trabalho de parto para um novo paradigma do qual já se tem uma ideia perfeita e já se tenta pormenorizar, mas ainda não se implantou. Contudo, já há países que estão na vanguarda deste novo paradigma e são o Canadá e os países nórdicos ocidentais que poderão ser os líderes a nível mundiais, partilhando as suas experiências. Todos os dados já estão lançados:
a Mulher com papéis decisivos na cena mundial, emparceirando com o Homem numa sociedade meritocrática;
a salvação da humanidade pela salvação do ambiente num respeito cada vez maior por este, tornando-se o ambiente a prioridade principal tanto de Governos como de organizações internacionais;
uma sociedade cada vez mais tecnológica, mas também cada vez mais humana com cada vez menos workholics e cada vez mais decisores equilibrados, pois dividindo mais o seu tempo entre as responsabilidades profissionais, as responsabilidades familiares e as responsabilidades na comunidade;
uma sociedade cada vez mais baseada na família, mas uma família cada vez mais respeitadora e cada vez mais amorosa entre si;
uma sociedade em busca sempre do pleno emprego e da realização pessoal do indivíduo nas suas várias vertentes;
e Deus e o Senhor Jesus Cristo estão cada vez mais presentes no mundo porque simples cidadãos que somos, estamos a aprender a amá-l'O, a adorá-l'O e a abrir-Lhe o nosso coração a Deus que vem morar em nós com o Pai, o Filho e o Espírito Santo e o mundo poderá ser o Paraíso para um cada vez maior número de pessoas porque o AMOR nos liga.❐
EM ANEXO
A 24 de Julho de 2010
sobre A Data de 1378 na igreja de Santa Maria da Graça
Sabemos que a igreja de Nossa Senhora da Graça existiu junto à Porta da Vila nas primitivas muralhas da Lacóbriga/Lagos e que terá existido desde os primórdios deste povoamento, certamente com designações diferentes.
Na era cristã, já igreja de Nossa Senhora da Graça refundada por milaneses pescadores, ela foi a única paróquia desta localidade até Agosto de 1415 quando a igreja de Santa Maria da Graça situada na rua Nossa Senhora da Graça foi inaugurada e recebeu todo o acervo do Cartório Paroquial da igreja de Nossa Senhora da Graça, junto da Porta da Vila, passando a ser a nova e única paróquia de Lagos.
Quando foi que a igreja de Nossa Senhora da Graça, junto da Porta da Vila, se tornou igreja matriz?
Acontece que igreja é todo o corpo de fiéis e o edifício a que chamamos igreja para simplificar, é a Casa da Igreja; neste caso Igreja – Corpo Místico do Senhor Jesus Cristo. Então esta igreja tornou-se matriz quando amadrinhou outra igreja; neste caso, a igreja de Nossa Senhora da Graça amadrinhou duas igrejas ao mesmo tempo e ela finou-se, prolongando a sua vida nas duas novas igrejas a que se deu:
a igreja de Nossa Senhora da Graça na Fortaleza de Sagres que, por sua vez já é matriz porque fundou uma nova igreja – a igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça na vila de Sagres;
a igreja de Santa Maria da Graça, paroquial por herança da igreja matriz, aquela situada na rua de Nossa Senhora da Graça que por sua vez passou a ser matriz da igreja de Santa Maria quando deu novo carácter à igreja da Misericórdia, passando para lá o seu acervo do Cartório Paroquial, tornando-a assim paróquia e dando-lhe um novo nome – igreja de Santa Maria.
Uma igreja matriz, para além de fundar uma nova igreja, tem de passar à nova igreja que funda algo importante, fundamental, de seu. Assim eu acredito que, para além de todo o acervo do Cartório Paroquial e além de outros bens, a igreja de Santa Maria da Graça recebeu esses “letreiros que apareceram nalgumas pedras da nave do meio da igreja de Santa Maria da Graça com a data 1378, governando D. Fernando e sendo Bispo de Silves, D. Martinho.” (PAULA, 1992, p.356). Acredito que 1378 – deve ser a data de qualquer evento muito importante que aconteceu na igreja de Nossa Senhora da Graça, junto da Porta da Vila.
Esta é a minha tese.❐
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Documento da Freguesia de Santa Maria de Lagos – Resposta aos Quesitos datado de 16 de Dezembro de 1908, do Prior José Gomes Relego Arouca que foi Presidente da Junta de Paroquia da Freguesia de Santa Maria de Lagos desde 1896 até 18 de Novembro de 1910, in MARTINS; 1992; pp. 95-101.
“Art. 1.o
Ninguém pode duvidar da antiguidade de Lagos assim como da sua antiga Nobreza: sede que foi desde o reinado de D. Afonso IV do Governo Temporal até 1755 em que os Capitães-Generais o transferiram para a cidade de Tavira e, segundo alguns como Ambrosio de Morales no 1.o 12 cap. 19 a fls. 122 V. e outros muitos, o foi também por algum tempo de Espiritual, tendo seu Bispo que, como tal assistiu ao IV Concilio de Toledo celebrado a 09 de Dezembro de 635, imperando Geradio, rei da Hespanha em tempo do Papa Honório I, ao Concilio VI celebrado em 639, sendo Papa João IV e, ao tempo, sendo Papa Teodoro, todos de Toledo, assegurando-se neste, no 18.o lugar = SERVUS DEI EPISCOPUS LACOBRIGENSIS (o Servo de Deus Bispo Lacobrigense [de Lacóbriga (sem mencionar o seu nome)]}. No entanto, existe outra versão: segundo Frei João de S. José (1577) «(...) no IV Concilio de Toledo, celebrado em tempo de Sisenando ou Sisebuto, IV rei dos Godos e do Papa Honório I, cuja eleição foi no ano do Senhor 622 em que se juntaram setenta bispos e se achou presente S. Isidoro, arcebispo de Sevilha, subscreveu com eles o dito concilio, Servus Dei epicopus lacobrigensis (não se trata do nome do bispo) (GUERREIRO e MAGALHÃES; 1983; p. 41) o que parece, porém certo é datar o culto religioso em Lagos e por consequência templo para reunião dos fiéis desde que os milaneses e genoveses e outros aportaram em Lagos, onde encantados do belo local e de uma das grandes baías que há, fizeram aqui assento para se empregarem na pesca do atum e do muito coral que então havia e fossem estes ou outros, naturais do país no tempo do rei D. Afonso III que reconquista o Algarve definitivamente em 1249, quando já o Algarve estava livre dos mouros em 910, para comodidade sua refundaram a pequena igreja de Nossa Senhora da Graça, claro fica que havendo templo deveria haver Ministro do Culto como se prova da doação que el-rei D. Afonso X de Castela fez de Lagos, povoação marítima a D. Frei Roberto, Bispo de Silves em 28 de Agosto de 1253 (documento que ainda existe), em que já Lagos tinha pároco e que depois que el-rei D. Afonso IV a instância de João Lourenço, alcaide do Castelo e João Parente, alvasil em 1320, no reinado de D. Dinis (1279-1325) mandou fazer a cerca ou muro que resguardasse a parte mais alta e povoada desta terra.
A 14 de Outubro de 1332, o mesmo rei mandou Martim Álvaro, corregedor do Algarve, que acabasse com todo o cuidado a cerca principal, aliás que ficaria despovoada a terra por causa das insolências dos mouros que contra ela acometiam todos os dias e que no presente o haviam feito com 12 galés, o que logo devia ter sido feito em 1320, visto el-rei ter mandado para esta obra 12$000 (doze mil) réis, o que se prova por um pergaminho que existe na Câmara desta cidade (atualmente inexistente).
Edificados estes muros ou cerca, edificaram dentro suas casas e também uma igreja pequena proporcionada à população em 1339, no reinado de D. Afonso IV, à qual deram a invocação de Santa Maria da Graça, título que conservou por muitíssimos anos porque até ao último do mês de Novembro de 1618 a acho com essa designação como se prova pelos assentos dos baptismos sendo o último assim «Em o derradeiro dia do mês de Novembro de mil seiscentos e dezoito anos, eu, o Prior Sebastião Roíz de Vasconcelos nesta igreja de Santa Maria da Graça, Matriz da cidade de Lagos, a baptizei Isabel, ... » e em outros termos ainda encontro Santa Maria Maior da Graça.
Julga-se por alguns letreiros gravados em pedras que se encontraram na nave central da igreja que não havia sido concluída logo de uma vez só se concluiu no reinado de D. Fernando, rei de Portugal, em 1378, sendo Bispo de Silves D. Martinho, que foi depois arcebispo de Lisboa. Esta igreja constava de uma nave só, como já disse, porém aumentando-se mais a povoação, se acha que, em 1420, Soeiro da Costa, mandara fazer a nave da parte do Evangelho, nessa nave uma capela para si e seus descendentes com a invocação de Senhor Jesus das Cadeias para a qual tinha alcançado Lourenço Dias a 03 de Janeiro de 1419 licença dos cardeais para nela se criar uma confraria com o título de «Escravos do Senhor Jesus das Cadeias» (confraria que ainda hoje existe e bem assim a primitiva imagem do Senhor Jesus) com muitas indulgências e nesta mesma Capela foi onde Lourenço Estevens e sua esposa Constança Afonso mandou fazer um Tabernáculo ou Sacrário para se conservar a Sagrada Eucaristia no ano de 1438 e a 19 de Dezembro de 1450, os mesmos fizeram uma doação perpétua enquanto o mundo durar de todo o azeite necessário para o consumo da Lâmpada, nomeando propriedades sujeitas a este encargo cuja escritura existe no arquivo desta igreja e diz ... «Lourenço Estevens e sua esposa Constança Afonso mandaram fazer na igreja de Santa Maria Maior do dito Lagos um Tabernáculo em que estivesse o Corpo de Deus consagrado todos os dias para o receberem aqueles que quisessem receber e para o corpo de Nosso Senhor estar honestamente como cumpre, ordenavam e mandavam pôr ante o dito Tabernáculo uma Lâmpada que arda e dê lume ante o dito Tabernáculo e isto para que arda assim de noite como de dia, a qual Lâmpada mandavam houvesse dela encargo de a manter e alumiar aquele que for administrador» e a capela do Senhor Jesus para a igreja da Misericórdia e foi então que, com a criação da Capela do Senhor Jesus, se levantaram as suas duas naves do lado do Evangelho e do lado da Epístola.
O Conde do Prado, Governador-Geral do Algarve, mandou fazer o magnífico Adro da Igreja de Santa Maria da Graça no ano de 1633; a Torre foi edificada em 1557. É muito provável que, logo que D. Pedro I, a 05 de Janeiro de 1361, a fez Vila e D. João I, a 08 de Fevereiro de 1402 a fez Vila Notável com assento nas Cortes de Évora no Terceiro Banco, como se lê no pergaminho que existe na Câmara e da sentença de D. Manuel contra D. Martinho, é muito natural que intentasse a criação de Prior Colado e Colegiada. Tão distinta era já esta igreja de Santa Maria da Graça que o Infante D. Henrique, morrendo na sua casa da Raposeira a 13 de Novembro de 1460 e o seu corpo vem depositar-se na igreja de Santa Maria da Graça, igreja principal de Lagos e daí trasladado para o Convento da Batalha, um ano depois, pelo Infante D. Fernando, seu sobrinho e também por ser freguesia onde nascera e fora baptizado o Glorioso São Gonçalo de Lagos, no ano de 1360, beatificado pelo Papa Pio VI, em 1778, pelo que devemos fixar a criação do Prior e quatro Beneficiados que sempre consta ter tido pelos anos pouco mais ou menos de 1468. [...] El-rei D. Sebastião a fez cidade no ano de 1573.
Caída a bela igreja Matriz de Santa Maria da Graça de Lagos no dia 01 de Novembro de 1755, passou o Prior e Colegiada a exercerem os actos de culto na igreja da Misericórdia cedida pela Mesa da mesma Santa Casa para esse fim, enquanto não tivessem igreja própria. Esta concordata foi feita em 30 de Setembro de 1756 e como a falta de meios tem sido grande, não foi possível até hoje reedificar a igreja demolida, continuando a paróquia na igreja da Misericórdia.
Em 1848, foi ampliada a igreja da Misericórdia/Santa Maria, sofrendo grandes transformações à custa da Fábrica e da Misericórdia e foi nessa época que se colocou nas novas torres da igreja um carrilhão.
A antiga igreja de Santa Maria da Graça cujas paredes tinham sido mandadas levantar pelo Exmo. Sr. Bispo D. Francisco Gomes de Avelar por motivos muito alheios à sua vontade deixou por concluir a referida igreja e como fosse proibido os enterramentos na igreja passou esta a servir de cemitério até que, em 1892, por decreto do Ministro José Dias Ferreira, os cemitérios paroquiais passaram a ser administrados pelas Câmaras Municipais, a Câmara desta cidade tomando posse das venerandas ruínas da igreja de Santa Maria da Graça que “segundo Manuel Paulo ROCHA (ROCHA, 1910, pp. 79-80), tomando a Câmara em consideração o péssimo estado em que se achava o antigo e abandonado cemitério de Santa Maria, o ser facilmente escalado pelos rapazes que nele praticavam desacatos, destruindo os poucos mausoléus que ali existiam, espalhando ossadas, ... e ainda a opinião dos facultativos munícipes que entendiam para bem da higiene, de toda a convivência, a supressão do mesmo cemitério, deliberou a Câmara mandar proceder à demolição dele, isto é, à demolição das meias paredes que se tinham construído para a reedificação desta igreja de Santa Maria da Graça» e assim a mandou arrasar de forma que hoje apenas existe um largo e, ao passar por lá, todos dizem: FOI AQUI A IGREJA DE SANTA MARIA VELHA.
No dia 29 de Julho de 1888, ao começar a festividade do Santíssimo Sacramento, incendiou-se a igreja de Santa Maria/Misericórdia de tal forma que só restaram umas paredes calcinadas. Sendo impossível reedificar a igreja por falta de dinheiro, Deus tocou no coração generoso da Exma Sra. D. Maria Júdice Biker Canhet que à sua custa reedificou a igreja, gastando nessa obra a quantia de 13.000$000 réis (treze mil contos). O Revmo. Sr. Bispo, D. António Mendes Belo, Bispo do Algarve, em extremo agradecido para com esta Senhora veio ele próprio a Lagos proceder à bênção da nova igreja a qual teve lugar no dia 28 de Julho de 1893. Contudo, segundo documentação existente na Biblioteca Municipal de Lagos e citada pelos autores da obra As Misericórdias do Algarve, Lisboa, 1968, p. 66, a reabertura do culto realizou-se em 1891, comprovando o facto a existência de uma inscrição no arco da capela-mor da igreja.
Na tarde desse mesmo dia, 28 de Julho, o Sr. Bispo do Algarve conduziu procissionalmente o Augusto Sacramento dos nossos altares, da igreja do Carmo para a igreja de Santa Maria com toda a pompa. Foi imponentíssima essa procissão. Fazia parte do cortejo a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, todas as confrarias erectas nesta paróquia, o Compromisso Marítimo, todas as autoridades eclesiásticas, civis e militares. Fechava a procissão a Câmara Municipal com o seu estandarte e todo o regimento de Infantaria 15, cuja praça era nesta cidade.
No dia seguinte, o mesmo Exmo. Senhor Bispo D. António Mendes Belo pontificou na nova igreja, querendo dar assim um público testemunho de gratidão àquela Senhora que teve a coragem de só à sua custa levar a cabo uma obra tão grandiosa. Ao Evangelho pregou o reverendo Prior de São Pedro de Faro, Bernardino Álvaro Pessanha, hoje pároco aposentado; na tarde, ao Te Deum, pregou o reverendo pároco encomendado desta igreja, Francisco de Assis do Nascimento Rocha, hoje ajudador da igreja de Lagoa. É esta, em resumo, a história da igreja Matriz de Santa Maria de Lagos.
[...] Art. 10.o
Na freguesia existem as seguintes igrejas, além da Matriz existe a igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, cuja igreja pertencia às religiosas Carmelitas Calçadas debaixo do augusto título de Religiosas do Convento da Conceição de Lagos. Teve esta Ordem Terceira começo a 12 de Agosto de 1726. Foi nessa época que fizeram o seu compromisso o qual foi aprovado legalmente pelo reverendo Frei Estevão de Santo Ângelo, Prior Provincial da Ordem do Carmo. No primeiro de Novembro de 1755, caiu o convento das religiosas e bem assim a igreja. Os irmãos da Ordem Terceira trataram da reedificação do mesmo convento e igreja, sendo Prior Provincial da Religião Carmelitana o Reverendo Padre Mestre Doutor Frei José Pereira de Sant'Ana. Foram aplicadas para esta obra todas as rendas do convento, as da Ordem Terceira e diversas esmolas que se obtiveram e a obra se concluiu no ano de 1758. Tem servido de Matriz por diversas vezes, sendo a última depois que se incendiou a igreja de Santa Maria/Misericórdia.
Existe mais a igreja do Espírito Santo a cargo dos marítimos, cuja edificação remonta ao ano de 1790. também existe a igreja de Santo António a cargo do comando Militar desta Praça e parece que foi edificada antes da era de 1668, pois D. Afonso VI (ficando D. Pedro [II] como regente do reino de Portugal) assentou praça de soldado raso a Santo António do Regimento de Infantaria de Lagos no dito ano de 1668.(Porquê em Lagos?)
No dia em que faleceu D. Afonso VI (12 de Setembro de 1683) D. Pedro II que neste dia subiu ao trono, elevou Santo António ao posto honorífico de capitão de Infantaria de Lagos, sendo-lhe só em 1733 pago o respectivo soldo. Parece que pelo terramoto de 1755, a igreja caiu, pois que em 1769, foi reedificada pelo Coronel Hugues Beathy que era de ascendência irlandesa, comandante do referido regimento, inglês de nacionalidade e protestante e passou a católico romano no dia primeiro de Janeiro de 1789, falecendo no dia seguinte como se vê pelos documentos juntos. São estas as igrejas ou capelas que existem dentro da cidade e freguesia de Santa Maria.
Junto ao mar, para o lado sul, à distância de 3 km da igreja matriz, existe uma pequena capela cujo orago é Nossa Senhora da Piedade, consta que foi edificada por Pedro Galego no ano de 1580.
Há uma grande devoção para com a imagem da Santíssima Virgem, principalmente na classe marítima e são os marítimos que, com suas esmolas, promovem as grandes festas a Nossa Senhora da Piedade no mês de Setembro e no dia que a Santa Igreja celebra as Dores de Maria Santíssima.♥
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Documento de 1857? do Prior da Paróquia de Santa Maria in MARTINS; 1992; pp.102-107.
Lagos foi aldeia conquistada por D. Sancho I aos mouros e doada por D. Afonso X de Castela a D. Frei Roberto, Bispo de Silves a 28 de Agosto de 1253. É cidade. A 05 de Janeiro de 1361, el-rei D. Pedro I concede-lhe jurisdição independente, desmembrando-a do concelho de Silves e fê-la vila e concelho, mantendo-se assim até 1755. D. João I deu-lhe o título de Vila Notável a 08 de Fevereiro de 1402, D. Manuel I deu-lhe Foral e Brazão de Armas, D. João III deu-lhe o título de Vila Notável em 25 de Agosto de 1535 e el-rei D. Sebastião deu-lhe o título de cidade em 1573. Tinha assento nas Cortes de Évora, no Terceiro Banco.1)
A igreja de Santa Maria tinha muitos privilégios concedidos em 1360 – em 1430 – em 1477 – em 1507 – em 1581 por Filipe I como se pode ver na Torre do Tombo. Foi colegiada até 1833 que constava de Prior e quatro Beneficiados não pagos pelos dízimos e a Fábrica recebia 65$000 (65 mil réis = 65 contos) réis dos dízimos; hoje nada tem.
Nesta data, as produções mais importantes da freguesia de Santa Maria eram as de cereais, figos, vinho, ... O vinho tem tido há anos bastante quebra pela moléstia que tem dado nas vinhas com grande força.
O rio de Lagos/Ribeira de Bensafrim corre manso e é navegável por pequenos barcos durante todo o ano. Cria pequenos muges.
Dos naturais desta freguesia, tornaram-se célebres:
Vicente Dias Seromenho, Beneficiado nas freguesias de Santa Maria e S. Sebastião donde era natural. Era muito versado na Língua Latina, História e Geografia. Compôs e dedicou ao Bispo D. Jerónimo Osório uma obra «Geographia do Reino do Algarve» in folio Bibl. Lusit.. Morreu a 19 de Março de 1605.
José António Ferreira BracLamy, formado em Leis, juiz de fora de ... vedor das Alagoas e, por último, desembargador. Homem incorrupto e inteiro na administração da Justiça, sendo admirado por todos os que o conheciam. Morreu em 1847.
António José de Lima Leitão, Doutor em Medicina, sendo médico-cirurgião e sócio de todas as Academias que pôde frequentar; Físico-Mor em Goa. Deputado nas Cortes de 1820 e Lente de ... no hospital de S. José. Homem de vastos conhecimentos e instruído em Literatura nas Línguas Portuguesa, Latina, Francesa, Grega, Inglesa, Italiana fez algumas traduções do original para a Língua Portuguesa como Virgílio e O Paraíso Perdido de Mílton.
Na freguesia de Santa Maria há o hospital da Misericórdia com dois médicos de Parto do município, cirurgião e farmacêutico pagos pela Mesa da Santa Casa da Misericórdia; antigamente eram pagos pelo rendimento dos dízimos.
Estabelecimentos fabris há na freguesia quatro Cordoarias: uma de cordame de esparto, as outras de cordas de linho e redes de pesca. Cada uma emprega três ou quatro homens.
Em Lagos realiza-se uma feira na freguesia de S. Sebastião.
Santa Maria é cabeça de comarca.
Não tem castelo e como fortificação de defesa tem um Forte na boca da barra do pequeno rio – rio de Lagos – denominado Ponta da Bandeira edificado em 1690 pelo Conde das Sarzedas e reedificado pelo Conde de Vale de Reis. Atualmente o seu estado é sofrível, estando apenas com duas peças de artilharia de pequeno calibre porque foi desartilhado em 1846/47. Tem diariamente uma guarda dada pela Guarnição da Praça que todos os dias é rendida e consta de um Oficial Inferior, Cabo e seis soldados.
A cidade de Lagos tem Brazão de Armas dado por el-rei D. Manuel I em 1504, quando Lagos era vila. Este Brazão consiste em dois castelos pegados um ao outro, divididos por baixo com um arco em porta. Sobre esta porta está outro castelo como servindo de remate aos dois primeiros. Por baixo dos castelos vêem-se ondas e mar levantado e de cada lado uma lança levantada (MARTINS; 1990). Puseram este Brazão no frontespício da igreja/ermida de Nossa Senhora da Graça, junto da Porta da Vila, devendo concluir-se por ser este edifício público o mais antigo daquele tempo e talvez seja o Brazão a que se refere o Tomo VI da igreja de Santa Maria Tít. 21 que diz ser um escudo coroado. Contudo não há vestígios deste Brazão e dos dois castelos.
Sendo Lagos, Vila Notável feita por D. João I em 1402 parece que este lhe devia dar Brazão de Armas.2) ❐
Atualmente sabe-se (PAULA, 1992, p.354-360) que
em 1189, D. Sancho I liberta Lagos dos mouros e doa-a a D. Nicolau de Santa Maria, Bispo de Silves.
Em 1190, o Bispo de Silves doa a igreja de Lagos – de Nossa Senhora da Graça – ao Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa.
Em 1191, Lagos é retomada pelos mouros chefiados por Yacub, emir de Sevilha.
Em 1198, Lagos e Silves são libertados dos mouros por uma armada de Cruzados de 50 a 60 navios com 1200 frisões e dinamarqueses que se reuniram à esquadra de navios portugueses de D. Sancho I.
Entretanto, Lagos foi retomada pelos mouros.
Em 1241, Lagos é libertada dos mouros por D. Paio Peres Correia no reinado de D. Sancho II.
Em 1258, no reinado de D. Afonso III, D. Afonso X de Castela doa a aldeia de Lagos a D. Frei Roberto, Bispo de Silves.
D. Afonso III (1250(?)-1279) concede Foral a Lagos, tornando-o concelho independente de Silves com jurisdição própria.
Durante o reinado de D. Afonso IV, é nomeado o primeiro alcaide do Castelo de Lagos, D. João Lourenço, após a libertação desta terra dos mouros e o primeiro alvasil (juiz) de Lagos, João Parente. D. Afonso IV doa Lagos a Gonçalo Fernandes que passa a ser Senhor de Lagos. Também na mesma altura a Capitania de Lagos é entregue ao Almirante Manuel Pezagno, de nacionalidade genovesa.
Por documento de 05 de Janeiro de 1361, no reinado de D. Pedro I, Lagos separa-se do concelho de Silves, ganhando jurisdição independente e o estatuto de vila. D. Pedro I confirma, autentica e acrescenta privilégios à decisão de D. Afonso III.
A 05 de Março de 1372, no reinado de D. Fernando, a vila de Lagos é doada a Gregório Premado que passa a ser Senhor de Lagos.
(...)
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2) O Brazão de Armas concedido por el-rei D. Manuel I em 1504, juntamente com o Foral à Vila de Lagos, acredito que representa o seguinte:
dois castelos – a dualidade desta vila entre a vila murada, nobre e com funções defensivas com a igreja de Nossa Senhora da Graça junto à Porta da Vila e o núcleo extramuros, de produção ao redor da ermida de Nossa Senhora da Conceição. Na altura já a ermida tinha sido substituída pela igreja de S. Sebastião e já havia sido criada a segunda paróquia.
Outro castelo servindo de remate aos dois primeiros – a única paróquia da vila na fase henriquina, a igreja de Santa Maria da Graça na rua Nossa Senhora da Graça, com a qual o Infante D. Henrique pretendeu unificar a vila e acabar com as inimizades entre os dois núcleos. Este símbolo no Brazão talvez fosse uma chamada de atenção de D. Manuel I para acabarem com esta dualidade em Lagos e tudo retomar a uma única paróquia.
Sobre arco em forma de porta – simboliza a igreja de Santa Maria da Graça/a vila de Lagos com porta virada para o mar. Não dois blocos, frente a frente, inimigos; mas agora toda a vila de Lagos virada para o mar, dele recebendo e dele enviando; enfim, vivendo com ele.
De cada lado uma lança levantada – simboliza a defesa de toda a vila que vai ser murada por D. Manuel I mais tarde, em 1520.
Os decisores de Lagos pegaram neste Brazão de Armas e colocaram-no no frontespício da igreja/ermida de Nossa Senhora da Graça, na Porta da Vila, nesta altura sem culto porque eles queriam a situação de dualidade e não gostaram do significado do Brazão, pois para eles aquela igreja era a verdadeira igreja da vila, apesar de abandonada.
Acredito que D. João I deu o título de Vila Notável a Lagos, mas não lhe deu Brazão porque o seu reinado foi pleno de muitas preocupações e ocupações e o início de uma nova dinastia. D. João I não se lembraria de Brazão para nenhuma vila. Acho que não achava isso tão importante. Agora o título de Vila Notável com assento no Terceiro Banco das Cortes de Évora; isso sim era importante para Lagos, mas também para D. João I ter partidários fiéis nas Cortes a defender as suas posições.
Esta é a minha tese.❐
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BIBLIOGRAFIA
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mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com


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