Mais uma vez venho partilhar convosco este meu trabalho – LAGOS, Património e Vida – com o terceiro livro " Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina" que começou a ser escrito a 02 de Novembro de 2009 e concluído a 10 de Agosto de 2010 que gostaria muito de vê-lo publicado em livro.
LAGOS – PATRIMÓNIO E VIDA
Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina
CAP VII – A Empresa dos Descobrimentos
(...)
Nesta época, havia em Portugal duas famílias cujas fortunas somadas eram superiores à riqueza da Coroa Portuguesa e por isso queriam impor-lhe a sua vontade e conspiravam contra D. João II: os Duques de Bragança e os Duques de Viseu. A 29 de Maio de 1483, D. Fernando, Duque de Bragança, foi preso e, depois de um processo rápido e julgamento, foi degolado na Praça Pública de Évora a 21 de Junho desse ano por alta traição. Os seus bens e os bens dos seus seguidores, que fugiram do país, foram confiscados e entregues à Coroa.
Ao jovem Duque de Viseu, D. Diogo, irmão da sua esposa, D. Leonor, tendo D. João II conhecimento por diversas vias de chefiar conspiração contra ele, o rei, apunhalou-o com as suas próprias mãos, sem prévio julgamento a 28 de Agosto de 1484 no Castelo de Palmela.
D. João II, querido e temido, podia finalmente iniciar um período de governo em paz. Entre 1485 e 1490, reestrutura sistematicamente o reino de Portugal. A nível interno, distribuiu pelo país oficiais régios, dando prioridade aos ofícios de maior significado para cada região. Para isso, procurou homens competentes para cada cargo, de preferência letrados, por períodos de três anos. Depois renovava-os a quem queria. Todos, directa ou indirectamente, dependiam dele.
Definiu cuidadosamente as exigências da fronteira e criou uma verdadeira barreira de controlo com os alcaides das sacas que distribuiu por toda a fronteira com Castela. Criou impostos e exigiu vigilância na fiscalização; reestruturou as alfândegas de mar e rios, assegurando-se assim de que o comércio português sairia beneficiado. Privilegiou uma pequena nobreza rural empobrecida. Não agrediu os homens de ofícios; a todos eles procurou agradar e fazer vontades, pois eram seus pontos de apoio para a sua autoridade. Considerava todos os órgãos e os homens que os serviam serviçais de uma única instituição: o governo régio (o Estado). Em 1485, reformou o brasão real; criou uma nova moeda.
Na política externa, aliou-se ou negociou com as cidades italianas, com França, com a Inglaterra, com a Flandres sempre na perspectiva de fazer afirmar Portugal.
O rei D. João II continua a política de exploração marítima de seu pai e deixa aos particulares via aberta para, por sua conta e risco, tentarem descobrir quer ilhas quer mesmo terra firme como consta do pedido de autorização concedido a Fernão Dulmo em 24 de Julho de 1486. Contudo estes particulares necessitavam da autorização prévia do rei e este exigia o conhecimento de antemão dos objectivos a que os navegadores se propunham. Este era um dos aspectos melindrosos já que, a partir do início dos anos 80 do século XV, havia que tomar em atenção os parâmetros geográficos das duas sucessivas partilhas do mundo entre Portugal e Espanha.
Esta nova etapa, já no reinado de D. João II, tem como base um verdadeiro «Plano da Índia» com duas estratégias diferentes:
exploração do interior, tentada a partir dos grandes rios africanos;
périplo marítimo do continente, procurando a todo o custo uma passagem para o oceano Indico.
Complementarmente, D. João II envia homens pelas vias terrestres tradicionais, entre eles Pero da Covilhã (1487) em missões de reconhecimento directamente à África Oriental e à Índia com o objectivo de se tentar informar devidamente sobre a localização da passagem do sudeste e sobre o que iria encontrar no Oriente.
Resolvidos os problemas que o golfo da Guiné colocava à navegação pela adopção do «Regimento do sol» na náutica astronómica e da «Volta da Mina» como rota de regresso a Portugal para fugir aos ventos contrários do Atlântico, as viagens marítimas prosseguem com a expedição de Diogo Cão (1482-1484) com duas caravelas que zarparam nos primeiros meses de 1482. Depois de ter ultrapassado o limite das viagens anteriores, Diogo Cão explorou a costa até ao rio Zaire e implantou na sua margem-sul o padrão de S. Jorge (ponta do padrão). Enviou emissários a um grande rei congolês, Nzinga-a-Nkuwu. A expedição continuou navegando até ao cabo Lobo (atualmente de Santa Maria), onde o padrão de Santo Agostinho foi colocado. Pouco mais a sul, iniciou-se o regresso das duas caravelas que fizeram uma nova paragem no Zaire para recolher os emissários. Como eles não apareceram, foram capturados alguns dos nativos. Durante a viagem de regresso ainda descobriram a ilha de Ano Bom que na altura recebeu o nome do navegador, Diogo Cão, antes de 08 de Abril de 1484; data em que D. João II recompensa pecuniariamentes e em honra – título de cavaleiro - Diogo Cão.
A segunda viagem de Diogo Cão começou no início do Outono de 1485 e regressou a Lisboa no ano de 1486. Depois de alcançado o Zaire, foram recolhidos os emissários deixados na viagem anterior e foram libertados os nativos capturados. Então a expedição prosseguiu para sul, ultrapassando o cabo Lobo e a angra de João Lisboa (atual Lucira Grande). Diogo Cão continuou viagem sempre ao longo da costa da atual Angola até chegar à Serra Parda (22º de latitude sul) na atual Namíbia. De caminho erigiu pedrões no cabo Negro e no cabo Cross. De regresso, subiu o Zaire até Ielala, onde deixaram um famoso conjunto de inscrições e visitou o rei do Congo que enviou uma embaixada sua para visitar o rei de Portugal.
Bartolomeu Dias inicia a sua viagem de descobrimento em Julho/Agosto de 1487 e parte de Lisboa com uma armada de três caravelas com os seguintes capitães: João Infante e Diogo (ou Pero) Dias que capitaneava a embarcação dos mantimentos que nas viagens anteriores não fora utilizada. Passada a Serra Parda, a armada percorre a costa da atual Namíbia, onde foram colocando padrões, até à angra das Voltas (atual Luderitz Bay – 27º de latitude sul) até ao mês de Dezembro, num total de 600 quilómetros. Nesta baía, a armada pára cinco dias e lá deixou a embarcação de apoio, prosseguindo viagem junto à costa até à serra dos Reis (atual Cardow Berg) onde chega a 06 de Janeiro de 1488. Devido a um temporal, as duas caravelas fazem-se ao largo durante treze dias na direcção de sudoeste até deparar-se com ventos favoráveis à progressão para oriente. Não conseguindo reaproximar-se do litoral africano, a armada ruma para norte durante cinco dias atingindo o seu objectivo nos inícios de Fevereiro de 1488, quando navega a costa oriental africana, após terem dobrado o cabo das Tormentas, assim denominado devido a tanto sofrimento passado. Estava descoberta a passagem para o oceano Índico.
O primeiro ponto da costa oriental africana onde as caravelas fazem aguada é a baía dos Vaqueiros (atual Fish Bay) onde ocorre o primeiro contacto com nativos desta costa. A armada continua ao longo da costa com breves paragens até alcançar um rio, o atual Great Fish River entre as cidades de Porth Elisabeth e East London que foi denominado rio do Infante. Este foi o limite máximo que as tripulações permitiram a Bartolomeu Dias.
No regresso, a restante costa sudoeste foi reconhecida, inclusive o cabo das Tormentas. Dobrado este promontório, as duas caravelas juntaram-se à terceira caravela e prosseguiram a viagem de regresso. Chegaram a Lisboa no mês de Dezembro de 1488.
Esta viagem de Bartolomeu Dias ganha um profundo significado cosmográfico: deita por terra a concepção ptolomaica do oceano Índico como um mar fechado cuja barreira à navegação era a «Terra Incógnita» - as massas oceânicas formariam uma grande massa de água circundada por uma massa terrestre intercontinental.
O rei D. João II, ao receber em glória Bartolomeu Dias e sendo informado de que tinham denominado o promontório – cabo das Tormentas, imediatamente discordou e designou-o cabo da Boa Esperança porque agora tinham uma esperança segura de que a Índia seria alcançada por mar e dentro de pouco tempo.
A grande luta dos últimos anos de vida de D. João II foi aberta pelo encontro de novas terras feito por Cristóvão Colombo. Reivindicou essas novas terras em 1479, por força do estabelecido no Tratado das Alcáçovas com o qual se dividia o mundo entre Portugal e Espanha pelo paralelo que passava a sul das ilhas Canárias. Esta foi a grande luta diplomática e psicológica de D. João II.
Apesar da doença e do desânimo psicológico pela morte do seu único filho legítimo, manteve a clarividência e força psicológica necessárias para assinar o Tratado de Tordesilhas a 07 de Junho de 1494 pelo qual se dividia o mundo por Portugal e Espanha, mas agora através do meridiano que passa a 370 léguas a ocidente de Cabo Verde que o Papa espanhol, Alexandre VI, viria a ratificar. Voluntaria ou involuntariamente, assegurava a presença de Portugal no futuro Brasil e garantia espaço amplo de manobra no Atlântico Sul que permitiria à Coroa Portuguesa avançar na busca do caminho para a Índia.
As várias feitorias ao longo da costa africana e as viagens marítimas de regresso pelos Açores, aproveitando a direcção favorável dos elementos naturais – correntes marítimas e ventos tornam desnecessária a base logística de Lagos, deixando esta vila de ser a plataforma de apoio logístico destas viagens e sendo substituída pelos Açores. Lisboa passa a ser o único centro dos descobrimentos e exploração das novas terras para a Coroa Portuguesa. Para lá afluem a Casa da Guiné em 1482, as várias concessões cedidas ao Infante D. Henrique, a Escola Superior de Estudos Náuticos de Sagres que passa para a universidade de Lisboa. Mantém-se em Lagos toda a atividade das explorações e comércio marítimos de propriedade privada.
Da costa africana, príncipes nativos continuavam a afluir à Corte Portuguesa e grandes senhores de outros reinos continuavam a oferecer-lhe as suas armas.
Com o Tratado de Tordesilhas assinado e promulgado pelo Papa Alexandre VI e com Cristóvão Colombo aceite pelo rei de Espanha, D. João II avança com uma expedição para alcançar a Índia. Porque é que D. João II não aceitou o projecto de Cristóvão Colombo pelo qual se chegaria à Índia navegando para Oeste, nunca se encontraram provas, mas o certo é que as evidências mostram que o rei de Portugal sabia o que não era do conhecimento do rei de Espanha, na altura, já que este financiou o projecto de Cristóvão Colombo. As caravelas foram substituídas por navios, pequenas naus, construídas de propósito para esta viagem que permitiriam transportar maiores quantidades de mercadorias.
Enquanto por mar Bartolomeu Dias dobrava o Cabo da Boa Esperança, Frei António de Lisboa e Pedro de Montarroio, primeiro e depois Pero da Covilhã e Afonso de Paiva demandaram por terra esses mesmos caminhos.
D. João II aceitou para seu sucessor, já que o seu único herdeiro legítimo morreu jovem, o irmão de sua esposa, D. Manuel e recolheu-se em Alvor, Algarve a esperar a morte que aconteceu a 25 de Outubro de 1495. (MEDINA, 1994, vol. IV, pp. 74-80)
D. João II morreu quando já tinham começado os preparativos para a viagem que havia de chegar à Índia. O rei D. Manuel I prosseguiu o mesmo plano e para comandante da frota escolheu Vasco da Gama, filho segundo de um funcionário régio que havia sido vedor da Casa de D. Afonso V e depois alcaide de Sines. É a primeira vez que um nobre é escolhido para comandar uma viagem marítima.
Entre a chegada a Lisboa da armada de Bartolomeu Dias e a partida de Lisboa da armada de Vasco da Gama em Julho de 1497 medeia um período de nove anos. Estes terão sido necessários para:
meados de 1491 (ou 1492 e 1493) a carta-relatório de Pero da Covilhã escrita no Cairo e entregue ao rei D. João II por intermédio do mestre José que informou o rei sobre dados importantes relacionados com o Oriente.
Em Março de 1493, o rei D. João II recebe a visita de Cristóvão Colombo que lhe traz a notícia da sua chegada ao continente americano.
No ano de 1493, existe tensão entre o rei D. João II e os Reis Católicos de Espanha. Portugal reivindica para si as terras descobertas por Cristóvão Colombo e ameaça tomar posse delas pela força. O Papa Alexandre VI promulga, em Maio, bulas contrárias à política atlântica de D. João II. Dá-se início a conversações directas entre os dois reis que se prolongam até ao ano seguinte.
Em Junho de 1494, dá-se a assinatura dos convénios do Tratado de Tordesilhas.
Em Outubro de 1495, morre D. João II deixando a armada de Vasco da Gama quase pronta para partir; a construção de três dos quatro navios desta frota foi começada no tempo de D. João II e concluída no tempo de D. Manuel I.
A 08 Julho de 1497, parte de Lisboa, do Restelo, a frota de Vasco da Gama. O seu diário de bordo foi sendo conservado até aos nossos dias e por ele sabemos qual a rota seguida e bastantes pormenores desta viagem. Esta expedição de Vasco da Gama constava de três navios e uma nau de abastecimento capitaneada por Gonçalo Nunes. Vasco da Gama comandava a expedição e um dos navios – São Gabriel. Os outros três eram comandados respectivamente por Paulo da Gama, seu irmão, o navio São Rafael, e por Nicolau Coelho, o navio Bérrio.
Esta armada saiu acompanhada de uma caravela capitaneada por Bartolomeu Dias que se dirigia à Mina e que se separou dela no arquipélago de Cabo Verde. Vasco da Gama avista as Canárias a 16 de Julho e os navios dispersam-se devido ao nevoeiro para voltarem a reencontrar-se a 26 do mesmo mês, já próximo da ilha de Santiago do arquipélago de Cabo Verde. Lá passaram oito dias para reabastecer os navios e a armada parte, navegando muito ao largo do continente africano e descrevendo uma larga curva durante mais de três meses em que não avista terra, mas conduzindo os navios para o extremo sul da África, ainda no litoral oeste e escalando a baía de Santa Helena no dia 07 de Novembro de 1497. Isto só foi possível devido à mestria destes capitães na navegação astronómica. Lá os homens retemperam forças, reparam e abastecem os navios e partem a 16 de Novembro. São precisos mais seis dias para dobrar, pelo largo, o agora cabo da Boa Esperança e chegam à angra de São Braz (atual Mossel Bay) no dia 25 desse mês. Têm uma boa recepção por parte dos nativos. Destruída a nau de apoio por já ter cumprido a sua função, a armada navega ao longo da costa, ultrapassando o ponto alcançado por Bartolomeu Dias, em 1488. Depois de superadas dificuldades de navegação devido às correntes contrárias do canal de Moçambique, a frota atinge a Terra do Natal por lá terem chegado nesse dia. Fizeram depois escala nas vizinhanças do rio Inharrime e do rio dos Bons Sinais (rio Zambeze em Moçambique) no fim de Janeiro de 1498.
Foram-lhes armadas várias ciladas pelos muçulmanos, pilotos que eram contratados, que dominavam o comércio do Índico e não queriam partilhá-lo com os portugueses, desviando a armada portuguesa da verdadeira rota para a Índia.
A 07 de Abril aportam a Mombaça, no atual Quénia. Finalmente em Melinde, Vasco da Gama consegue contratar um piloto de confiança que guia a armada no bom caminho até Calecute, no Malabar, desde 24 de Abril a 20 de Maio de 1498. Calecute era uma das grandes cidades comerciais da Índia. Vasco da Gama levava instruções para estabelecer um tratado de amizade e comércio com o samorim local, senhor daquela região. Contudo este propósito revelou-se frustrado, pois os árabes, detentores do monopólio comercial de especiarias e escravos, tudo fizeram desde intrigas, calúnias, ardis para colocar o samorim contra o tratado entre indianos e portugueses. As negociações foram extremamente difíceis e a aliança impossível de realizar.
No entanto, Vasco da Gama ainda consegue, para além de dados preciosos sobre o comércio oriental, o primeiro carregamento de especiarias da Índia para a Europa por via marítima em alternativa às rotas terrestres tradicionais.
Estavam abertas as portas para o alargamento da expansão portuguesa do Atlântico ao Índico e seus prolongamentos para o Oceano Pacífico.
O regresso é bastante penoso pela tripulação já estar bastante enfraquecida pela doença, principalmente o escorbuto, devido a terem feito uma longa travessia de três meses até Melinde, onde chegam nos primeiros dias de 1499, devido às condições meteorológicas adversas, próprias daquela época do ano.
A perda crescente de homens vítimas do escorbuto levou à queima do navio São Rafael por insuficiência de tripulação. Escalando em alguns pontos da costa oriental africana, os dois navios sobreviventes dobram o cabo da Boa Esperança a 20 de Março de 1499. Usufruindo dos ventos alíseos de sueste, chegam à foz do rio Geba a 25 de Abril seguinte e de seguida passaram à ilha de Santiago.
O navio Bérrio segue directamente para Lisboa onde aporta no dia 10 de Julho de 1499. Vasco da Gama com o seu irmão, Paulo da Gama bastante doente, toma um navio mais veloz e entrega o navio São Gabriel, carregado de especiarias, a João Vaz. No entanto, este chega primeiro a Lisboa, antes de 28 de Agosto e Vasco da Gama que seguira a rota da Mina, depois de uma escala na ilha Terceira onde o seu irmão acaba por falecer; só entra no estuário do Tejo a 09 de Setembro de 1499.
O primeiro carregamento de especiarias que aportou a Lisboa foi recebido com muito agrado pelo rei D. Manuel I que divulgou imediatamente o facto por toda a Europa, a começar por Espanha e escreveu a todas as cidades e vilas notáveis ordenando a realização de procissões e festejos de congratulações.
Vasco da Gama e alguns dos sobreviventes desta grande viagem foram agraciados, entre outras benesses com o almirantado da Índia (vice-rei em 1524, o título de Dom e mais tarde o título de Conde da Vidigueira e também mercês pecuniárias.
Enquanto o caminho marítimo para a Índia era desbravado, continuava-se e faziam-se progressos nas navegações do Atlântico Ocidental.
Depois de 1495, João Fernandes Lavrador realizou viagens no Atlântico Norte e Noroeste com Pedro de Barcelos, percorrendo durante três anos o litoral-sul da Gronelândia que tomou o nome de Terra do Lavrador.
Em 1498, João Fernandes Lavrador regressou à mesma região com o veneziano Giovanni Caboto, integrados numa expedição inglesa.
Em meados do ano de 1500, o filho de João Vaz Corte-Real, Gaspar Corte-Real segue a viagem do pai e é de considerar a possibilidade de ter reconhecido a Terra Nova.
No ano seguinte, voltou a repetir a mesma viagem, desta vez com o irmão Miguel Corte-Real, mas desta esxpedição não regressou.
Em Portugal, no ano de 1498, foram abolidas as contias que se tinham tornado numa prática obsoleta porque os nobres já não precisavam delas para viver.
A última etapa da Descoberta do Caminho Marítimo para a índia foi a passagem do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, realizada por Bartolomeu Dias, em 1487. A descoberta de toda a costa ocidental africana demorou cinquenta e três anos, feitas as contas.
Os marinheiros tinham aprendido o regime dos ventos alíseos e a direcção das correntes no Atlântico Norte e assim, por volta de 1480, passam a fazer a viagem de regresso pelos Açores, aproveitando a direcção favorável daqueles elementos naturais – correntes marítimas e ventos. Calculavam a latitude a que se encontrava a nau e dessa forma era possível o achamento das ilhas na vastidão atlântica.
Acima de tudo, o Infante D. Henrique contribuíra para que os portugueses ousassem percorrer o mar, descobrir os seus segredos, isto é, iniciar a aventura marítima que, até ao rodar do século, traria quase todos os povos à comunhão do conhecimento mútuo e à modernidade dos novos tempos – A Modernidade. O seu mérito maior foi a persistência com que soube animar os seus marinheiros a vencer o mar desconhecido, em encontrar meios de financiamento para um empreendimento de custos tão elevados, em acreditar na bondade dos seus propósitos cristãos de conversão das gentes encontradas e a derrota dos inimigos da fé. O Infante D. Henrique foi o principal obreiro dos Descobrimentos marítimos, a gesta maior do Povo Português a que pertenceu.❐ (continua)
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
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