Mais uma vez venho partilhar convosco este meu trabalho – LAGOS, Património e Vida – com o terceiro livro " Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina" que foi iniciado a 02 de Novembro de 2009 e concluído a 10 de Agosto de 2010 que gostaria muito de vê-lo publicado em livro.
LAGOS – PATRIMÓNIO E VIDA
Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina
CAP III - O Infante D. Henrique e a sua obra
O Infante D. Henrique é o quinto filho do casal e nasceu no Porto, no dia 04 de Março de 1394. Em 1405, o Infante D. Henrique esteve a passar uns tempos, que não terão sido os únicos, na Corte Inglesa com os primos ingleses((MEDINA J.; vol. IV; 1994; p.17) e a adquirir saberes com um povo também de sonhos marítimos.
Durante a sua juventude, praticava desporto e artes de guerra e D. João I, seu pai, confia-lhe a organização da frota concentrada no Porto com gentes do Norte e da Beira para a expedição a Ceuta. Reuniu 70 navios grandes e muitos outros de abordagem. Em 1415, destacou-se na conquista da cidade de Ceuta, onde o seu pai o armou cavaleiro e aos seus dois irmãos mais velhos. Em Setembro de 1415, tornou-se Duque de Viseu e Senhor da Covilhã.
No dia 18 de Fevereiro de 1416, passou a ser Administrador e Governador da Ordem de Cristo e também em 1416, D. João I confia ao Infante D. Henrique o encargo de administrar o dinheiro destinado à defesa de Ceuta.
A necessidade de navegar por mares percorridos por grandes tempestades, por regime de ventos e por grossas correntes marítimas que arrastavam até às Canárias e posteriormente até ao arquipélago da Madeira navios portugueses encarregados da defesa costeira meridional de Portugal, levou o Infante D. Henrique a iniciar a exploração dos mares e a lançar-se na empresa dos descobrimentos. Durante o reinado de D. João I surge o descobrimento de Porto Santo (1419), da Madeira (1420) e do grupo oriental dos Açores (1427). D. Henrique persegue este sonho de descobrir o Desconhecido, quer saber o que está para além de ... com os seus marinheiros, cavaleiros e escudeiros, mercadores e capelães, ele vai experimentar durante 45 anos, o que é obedecer a um plano cientificamente estudado, ao mesmo tempo, expor a sua vida à Fortuna. Na concepção da época, renascentista, o homem individual integrava-se num todo. Diligente e persistente, o êxito das primeiras expedições marítimas entusiasmam-no ainda mais e no dia 20 de Maio de 1420, é investido pelo Papa Martinho V, ficando deste modo com valiosos recursos para a realização do seu sonho ultramarino.
Para o adestramento técnico dos seus marinheiros e para arquivar as experiências e realizações obtidas, D. Henrique rodeou-se de peritos, fundando em Sagres uma autêntica Escola Superior de Estudos Náuticos, chamando a Portugal, entre outros mestres, o já célebre cartógrafo Jácome de Maiorca que, com os elementos fornecidos pelos navegantes portugueses, elaborou novas cartas náuticas.
Entre os interesses determinantes da dedicação do Infante D. Henrique às navegações contam-se os de ordem religiosa – espírito de cruzada que lhe impunha a defesa política e económica e a propagação da fé católica, mas a sua dedicação à empresa marítima não era em exclusivo.
Não desligado dos problemas nacionais e em especial da universidade de que era protector atento, os seus interesses também se centravam nas terras de além-mar e para isso viveu a maior parte do seu tempo para a Escola Superior de Estudos Náuticos em Sagres.
Enormes eram os problemas que tinha para resolver e estavam sob a sua responsabilidade:
a preparação e execução das expedições marítimas,
a colonização dos arquipélagos da Madeira e dos Açores,
as relações com África recém-descoberta nas perspectivas comercial, política e missionária,
a responsabilidade do governo da Ordem de Cristo,
a defesa dos direitos e interesses de Portugal junto do Papa e do rei de Castela.
Em 1431, reorganizou os estudos da Universidade de Lisboa, onde introduziu o estudo da Matemática e da Astronomia, universidade que dava apoio a vários níveis à Escola Superior de Estudos Náuticos de Sagres e como podemos verificar também obtinha vantagens deste protocolo.
Em 1437, participou na infeliz expedição a Tânger e na conquista de Alcácer Ceguer, em 1457. Será denominado o Navegador e assim ficará conhecido na História portuguesa e universal.
No dia 20 de Maio de 1449, na crise que culminou na batalha de Alfarrobeira, o Infante D. Henrique esforçou-se por defender o irmão, Infante D. Pedro, em Santarém; mas em Alverca, respeitando a autoridade do sobrinho e rei, manteve uma atitude passiva ao lado do rei, D. Afonso V. (OLIVEIRA M. A.; 1990; pp. 221, 266, 275.)
Em 1449, em Alfarrobeira, morre o Infante D. Pedro na batalha, já sem a regência. Quando D. Pedro deixa a regência vai viver para o seu ducado de Coimbra, mas parece estar em graves dificuldades financeiras. Surge um conflito familiar entre D. Pedro e o casal real, mas era ao rei que cabia todas as decisões da Coroa.
Há um momento em que D. Pedro se recusa a cumprir uma ordem de D. Afonso V, receoso de cair nas mãos dos seus adversários, conselheiros do rei. O Infante D. Henrique intervém em Santarém e o conflito parece resolver-se. D. Afonso V chama à corte D. Afonso, Duque de Bragança e D. Pedro, Duque de Coimbra, para que o conflito entre os dois ficasse resolvido de vez. D. Pedro nega passagem ao Duque de Bragança quando este tenta passar por Coimbra para chegar à Corte em Lisboa. D. Pedro decide ir pedir justiça ao rei, seguindo à frente dos seus 6000 homens de armas. O rei prepara-se para tudo, pois Portugal não pode ficar dividido. O rei avança com muitos mais homens contra o tio. O tio, D. Pedro, vê-se perseguido, insultado no caminho pelos soldados do rei e consegue mandar matar cerca de trinta, sendo um deles, fidalgo da Casa do Infante D. Henrique. Em Alfarrobeira, os homens de armas de D. Pedro e do rei com o Infante D. Henrique estão frente a frente. Os soldados do rei começam as escaramuças e D. Pedro manda disparar as bombardas. Muitos dos homens de D. Pedro abandonaram-no antes da batalha e D. Pedro morre a lutar.
Dos vários testemunhos que ainda existem sobre o Infante D. Henrique, transcrevo o que encontrei na Crónica do Senhor José Paula Borba «LAGOS esta cidade que eu amo ...» no jornal CORREIO de LAGOS n.o 244 de Novembro/Dezembro de 2009: texto "(...) relatado pelo navegador Diogo Gomes que também era um fiel servidor da Casa do Infante.
«No ano do Senhor de 1460, o Senhor Infante D. Henrique adoeceu na Raposeira que fica perto do Cabo de S. Vicente, do que morreu a 13 de Novembro do dito ano, numa quinta-feira. E naquela noite em que morreu, levaram-no para a Igreja de Santa Maria (da Graça), na Vila de Lagos – Vila do Infante, onde foi sepultado honrosamente. E o rei, o Afonso (V) estava então na cidade de Évora e ficou muito triste com o seu povo pela morte de tão grande senhor; porque todos os rendimentos que tinha e tudo o que provinha da Guiné gastava em guerra e em contínua armada no mar contra os sarracenos, pela fé cristã. No fim do ano, o rei Afonso mandou-me chamar, pois continuamente eu ficara, por mandado do rei, em Lagos, junto do corpo do Infante, dando o que era necessário aos sacerdotes que se empregavam em contínuas vigílias e no Ofício Divino e mandou que eu visse e examinasse se o corpo do Infante estava putrefacto porque queria trasladar os ossos dele para o Mosteiro, realmente formosíssimo, que se chama Santa Maria da Batalha, que seu pai, o rei D. João I, edificara com frades da Ordem dos Pregadores. Eu, com efeito, chegando ao corpo do defunto, descobri-o e encontrei-o seco e integro. E encontrei-o cingido por cilício áspero de sedas de cavalo; pois bem canta a Igreja: non dabis sanctum tuum videre corruptionem (não permitirás que o teu santo sofra a corrupção). O qual Senhor Infante até à morte permaneceu virgem e fez em sua vida muitos benefícios que seria muito extenso contar. Então, o rei mandou ir o seu irmão Senhor Infante D. Fernando, duque de Beja e os bispos e condes afim de levarem o corpo até ao Mosteiro da Batalha supradito, onde o rei esperava o corpo do defunto. E foi posto o corpo do Infante na capela formosíssima e grande que o seu próprio pai, o rei D. João I fizera, onde o mesmo rei jaz com sua esposa D. Filipa, mãe dele e cinco irmãos do mesmo, dos quais todos louvável memória haverá até à eternidade. E descansam em santa paz. Amem.»
Para terminar esta evocação, não posso deixar de incluir o belo soneto do nosso poeta Vieira Calado.
Baía e Infante D. Henrique
Na curva inolvidável da Baía
que ao mar bravio roubou o Bojador,
paira a sombra fantástica vigia
desse Infante que foi navegador.
Pega a bússola, a régua, a fantasia,
arrasa velhos mitos sem temor
e em Lagos e em Sagres dia-a-dia
faz argonauta o sábio e o pescador.
Desencobre dos mares os segredos
e no abismo dos mitos derradeiros
desfaz em clara luz p'rigos e medos.
E tu, Lagos, berço dos marinheiros,
és a própria figura do Infante
que ao Mundo mundos deu, mais adiante.❐
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sábado, 2 de outubro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina (II)
Venho partilhar convosco este meu trabalho – LAGOS, Património e Vida – com o terceiro livro " Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina" que foi iniciado a 02 de Novembro de 2009 e concluído a 10 de Agosto de 2010 que gostaria muito de vê-lo publicado em livro.
LAGOS – PATRIMÓNIO E VIDA
Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina
CAP II – A Segunda Dinastia e a Ínclita Geração
Foi em Lisboa que a revolta deflagrou. Os grandes burgueses e alguns nobres decidiram a morte do conde de Andeiro e escolheram D. João, mestre da Ordem de Avis, para chefiar essa missão que ele cumpriu.
De seguida, D. João organizou um Conselho de Governo com legistas e mercadores e criou a Casa dos Vinte e Quatro – Conselho Revolucionário constituído por dois representantes de cada um dos doze mesteres mais importantes que funcionava na Câmara de Lisboa e cuja aprovação era necessária para tudo o que se relacionasse com o governo da(s) cidade(s).
Entretanto, o rei de Castela invade o país para ser aceite como rei de Portugal, em finais de Maio de 1384. Foi derrotado por D. João com D. Nuno Álvares Pereira e regressou a Castela. D. João estabelece-se no Porto.
Em Abril de 1385, reuniram-se as Cortes em Coimbra. D. João foi aclamado Rei de Portugal e ficou decidido que o Conselho do Rei seria formado por dois representantes de cada um dos grupos sociais: clero, nobreza, letrados e cidadãos.
O rei de Castela volta a invadir Portugal e a 14 de Agosto de 1385 dá-se o recontro de ambos os exércitos e as forças portuguesas vencem mais esta batalha que tem consequências políticas definitivas, apesar de a paz entre os dois países só ter sido assinada em 1411.
João I doa quase meio país a D. Nuno Álvares Pereira em agradecimento por tão valoroso auxílio e D. Nuno Álvares Pereira quis entregar uma parte do que recebera aos que mais o tinham ajudado, fazendo-os seus vassalos. D. João I não o permitiu e fez recolher ao património da coroa as terras doadas. Depois, em 1401, casou o seu filho bastardo e depois legitimado, D. Afonso (c.1370-1461), 8.0 Conde de Barcelos, com D. Beatriz, filha legítima única de D. Nuno Álvares Pereira, mas com muitos filhos bastardos.
D. João I nasceu em Lisboa no dia 11 de Abril de 1357 e é rei de Portugal de 06 de Maio de 1385 a 14 de Agosto de 1433. É filho do rei D. Pedro I e da dama galega, D. Teresa Lourenço. Em 1364, tornou-se Mestre da Ordem de Avis.
Leonor Teles, esposa do rei D. Fernando, vendo nele um perigo para a sua hegemonia junto de D. Fernando, meio-irmão de D. João, tenta em vão destruí-lo, tramando a sua condenação à morte sem êxito.
Após a morte de D. Fernando, D. João acaba por aceitar a chefia do movimento popular em Lisboa. Preparou a conspiração que levou à morte do Conde Andeiro (06.11.1383) e em 23 de Dezembro de 1383 aceitou o título de Defensor e Regedor do Reino.
Em 06 de Abril de 1385, as Cortes de Coimbra designaram-no Rei de Portugal, criando assim a segunda dinastia portuguesa e em 14 de Agosto de 1385, alcançou a vitória decisiva sobre o rei de Castela na batalha de Aljubarrota com a ajuda de D. Nuno Álvares Pereira.
Em 1386, pelo Tratado de Windsor, firmou a aliança com a Inglaterra que tinha começado a ser negociada no tempo do rei D. Fernando (1372) e no dia 02 de Fevereiro de 1387, casou com D. Filipa de Lancashire, neta do rei Edward III de Inglaterra e irmã do rei Henry IV da Inglaterra.
Antes do seu casamento, D. João, Mestre de Avis, tinha gerado dois filhos: D. Afonso e D. Beatriz. Ele seria legitimado em 1401 e feito 8º Conde de Barcelos e primeiro duque de Bragança e ela Condessa de Arundel. D. Afonso fez-se sempre de grande senhor, marcado com o estigma da intriga e do ódio fraticida à Ínclita Geração, da qual nunca fez parte por razões de realeza.
Em 1401, D. João I casou o seu filho bastardo e legitimado, D. Afonso (c.1370-1461), 8º Conde de Barcelos, com D. Beatriz, filha única de D. Nuno Álvares Pereira. Em 1442, D. Afonso viria a ser o primeiro Duque de Bragança.
Entretanto, D. João I iniciara a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, em agradecimento a Nossa Senhora pela vitória alcançada em Aljubarrota.
A partir de 1412, associou D. Duarte ao governo do país e em 1415, comandou a expedição a Ceuta, primeira dirigida ao Norte de África, partindo de LAGOS na expedição e iniciando assim a expansão ultramarina portuguesa. Na conquista marroquina, participaram activamente os seus filhos D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique.
Em 1430, já no fim da sua vida, vê a sua filha D. Isabel, rainha do trono da Borgonha, na altura um dos mais importantes tronos da Europa.
Escreveu o Livro da Montaria, que é uma das mais valiosas obras literárias portuguesas do século XV. Nele revela não só a sua cultura profana e eclesiástica, mas também o seu interesse por diversos desportos e divertimentos, incluindo a dança, a música e o xadrez.
D. Filipa de Lancashire nasceu na Inglaterra em 1359, filha dos duques de Lancashire e neta do rei Edward III de Inglaterra e irmã de Henry IV de Inglaterra.
Casou com D. João I no dia 02 de Fevereiro de 1387 na Sé do Porto com 27 anos de idade. O seu casamento contribuiu para a consolidação da Aliança Portuguesa com a Inglaterra, estabelecida em 1372 e confirmada com novas cláusulas em 1373.
Do casamento nasceram:
Em 1388, em Lisboa, D. Branca, nome da avó materna e morre em Lisboa, em 1390.
Em 1390, em Santarém, nasce D. Afonso, talvez para melhor vincular a nova dinastia à linha mais saliente da anterior e morre em Braga, em 1401.
Em 1391, em Viseu, nasce D. Duarte, nome do avô materno e morre em Tomar, em 1438.
Em 1392, em Lisboa, nasce D. Pedro e morre em Alfarrobeira, em 1449.
Em 1394, no Porto, nasce D. Henrique e morre na Raposeira, em 1460.
Em 1397, em Évora, nasce D. Isabel e morre em Borgonha, em 1471.
Em 1400, em Santarém, nasce D. João e morre em Alcácer do Sal, em 1442.
Em 1402, em Santarém, nasce D. Fernando e morre em Fez, Marrocos, em 1443.
Filipa promoveu o estreitamento das relações com a Inglaterra, foi prudente conselheira do seu marido, contribuiu para a fidelidade de Portugal ao Papa e acompanhou com entusiasmo a preparação da conquista de Ceuta. Introduziu na Corte Portuguesa novos costumes e hábitos de cultura.
João e D. Filipa foram um casal real de invulgar dignidade e capacidade; são pessoas, cujo amor irradiante naturalmente gera amor. Foi na própria Geração de Altos Infantes que nasceu a consciência de que entre todos eles estavam forjados vínculos afectivos que era suave conservar, recordar à distância e obrigatório defender. D. Duarte dá testemunho desse afecto aos irmãos da esposa, os Infantes de Aragão e em todas as suas análises se adivinha a presença discreta e determinante da mãe que todos perderam antes dos 20 anos de idade.
D. Filipa adoeceu gravemente com a peste nas vésperas da partida da expedição para Ceuta, fez a entrega das espadas aos seus três filhos mais velhos e morreu no dia 19 de Julho de 1415 em Loures, Odivelas. Na hora da morte, D. Filipa pede aos filhos «Acima de tudo, UNIDADE e AMIZADE».
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
LAGOS – PATRIMÓNIO E VIDA
Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina
CAP II – A Segunda Dinastia e a Ínclita Geração
Foi em Lisboa que a revolta deflagrou. Os grandes burgueses e alguns nobres decidiram a morte do conde de Andeiro e escolheram D. João, mestre da Ordem de Avis, para chefiar essa missão que ele cumpriu.
De seguida, D. João organizou um Conselho de Governo com legistas e mercadores e criou a Casa dos Vinte e Quatro – Conselho Revolucionário constituído por dois representantes de cada um dos doze mesteres mais importantes que funcionava na Câmara de Lisboa e cuja aprovação era necessária para tudo o que se relacionasse com o governo da(s) cidade(s).
Entretanto, o rei de Castela invade o país para ser aceite como rei de Portugal, em finais de Maio de 1384. Foi derrotado por D. João com D. Nuno Álvares Pereira e regressou a Castela. D. João estabelece-se no Porto.
Em Abril de 1385, reuniram-se as Cortes em Coimbra. D. João foi aclamado Rei de Portugal e ficou decidido que o Conselho do Rei seria formado por dois representantes de cada um dos grupos sociais: clero, nobreza, letrados e cidadãos.
O rei de Castela volta a invadir Portugal e a 14 de Agosto de 1385 dá-se o recontro de ambos os exércitos e as forças portuguesas vencem mais esta batalha que tem consequências políticas definitivas, apesar de a paz entre os dois países só ter sido assinada em 1411.
João I doa quase meio país a D. Nuno Álvares Pereira em agradecimento por tão valoroso auxílio e D. Nuno Álvares Pereira quis entregar uma parte do que recebera aos que mais o tinham ajudado, fazendo-os seus vassalos. D. João I não o permitiu e fez recolher ao património da coroa as terras doadas. Depois, em 1401, casou o seu filho bastardo e depois legitimado, D. Afonso (c.1370-1461), 8.0 Conde de Barcelos, com D. Beatriz, filha legítima única de D. Nuno Álvares Pereira, mas com muitos filhos bastardos.
D. João I nasceu em Lisboa no dia 11 de Abril de 1357 e é rei de Portugal de 06 de Maio de 1385 a 14 de Agosto de 1433. É filho do rei D. Pedro I e da dama galega, D. Teresa Lourenço. Em 1364, tornou-se Mestre da Ordem de Avis.
Leonor Teles, esposa do rei D. Fernando, vendo nele um perigo para a sua hegemonia junto de D. Fernando, meio-irmão de D. João, tenta em vão destruí-lo, tramando a sua condenação à morte sem êxito.
Após a morte de D. Fernando, D. João acaba por aceitar a chefia do movimento popular em Lisboa. Preparou a conspiração que levou à morte do Conde Andeiro (06.11.1383) e em 23 de Dezembro de 1383 aceitou o título de Defensor e Regedor do Reino.
Em 06 de Abril de 1385, as Cortes de Coimbra designaram-no Rei de Portugal, criando assim a segunda dinastia portuguesa e em 14 de Agosto de 1385, alcançou a vitória decisiva sobre o rei de Castela na batalha de Aljubarrota com a ajuda de D. Nuno Álvares Pereira.
Em 1386, pelo Tratado de Windsor, firmou a aliança com a Inglaterra que tinha começado a ser negociada no tempo do rei D. Fernando (1372) e no dia 02 de Fevereiro de 1387, casou com D. Filipa de Lancashire, neta do rei Edward III de Inglaterra e irmã do rei Henry IV da Inglaterra.
Antes do seu casamento, D. João, Mestre de Avis, tinha gerado dois filhos: D. Afonso e D. Beatriz. Ele seria legitimado em 1401 e feito 8º Conde de Barcelos e primeiro duque de Bragança e ela Condessa de Arundel. D. Afonso fez-se sempre de grande senhor, marcado com o estigma da intriga e do ódio fraticida à Ínclita Geração, da qual nunca fez parte por razões de realeza.
Em 1401, D. João I casou o seu filho bastardo e legitimado, D. Afonso (c.1370-1461), 8º Conde de Barcelos, com D. Beatriz, filha única de D. Nuno Álvares Pereira. Em 1442, D. Afonso viria a ser o primeiro Duque de Bragança.
Entretanto, D. João I iniciara a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, em agradecimento a Nossa Senhora pela vitória alcançada em Aljubarrota.
A partir de 1412, associou D. Duarte ao governo do país e em 1415, comandou a expedição a Ceuta, primeira dirigida ao Norte de África, partindo de LAGOS na expedição e iniciando assim a expansão ultramarina portuguesa. Na conquista marroquina, participaram activamente os seus filhos D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique.
Em 1430, já no fim da sua vida, vê a sua filha D. Isabel, rainha do trono da Borgonha, na altura um dos mais importantes tronos da Europa.
Escreveu o Livro da Montaria, que é uma das mais valiosas obras literárias portuguesas do século XV. Nele revela não só a sua cultura profana e eclesiástica, mas também o seu interesse por diversos desportos e divertimentos, incluindo a dança, a música e o xadrez.
D. Filipa de Lancashire nasceu na Inglaterra em 1359, filha dos duques de Lancashire e neta do rei Edward III de Inglaterra e irmã de Henry IV de Inglaterra.
Casou com D. João I no dia 02 de Fevereiro de 1387 na Sé do Porto com 27 anos de idade. O seu casamento contribuiu para a consolidação da Aliança Portuguesa com a Inglaterra, estabelecida em 1372 e confirmada com novas cláusulas em 1373.
Do casamento nasceram:
Em 1388, em Lisboa, D. Branca, nome da avó materna e morre em Lisboa, em 1390.
Em 1390, em Santarém, nasce D. Afonso, talvez para melhor vincular a nova dinastia à linha mais saliente da anterior e morre em Braga, em 1401.
Em 1391, em Viseu, nasce D. Duarte, nome do avô materno e morre em Tomar, em 1438.
Em 1392, em Lisboa, nasce D. Pedro e morre em Alfarrobeira, em 1449.
Em 1394, no Porto, nasce D. Henrique e morre na Raposeira, em 1460.
Em 1397, em Évora, nasce D. Isabel e morre em Borgonha, em 1471.
Em 1400, em Santarém, nasce D. João e morre em Alcácer do Sal, em 1442.
Em 1402, em Santarém, nasce D. Fernando e morre em Fez, Marrocos, em 1443.
Filipa promoveu o estreitamento das relações com a Inglaterra, foi prudente conselheira do seu marido, contribuiu para a fidelidade de Portugal ao Papa e acompanhou com entusiasmo a preparação da conquista de Ceuta. Introduziu na Corte Portuguesa novos costumes e hábitos de cultura.
João e D. Filipa foram um casal real de invulgar dignidade e capacidade; são pessoas, cujo amor irradiante naturalmente gera amor. Foi na própria Geração de Altos Infantes que nasceu a consciência de que entre todos eles estavam forjados vínculos afectivos que era suave conservar, recordar à distância e obrigatório defender. D. Duarte dá testemunho desse afecto aos irmãos da esposa, os Infantes de Aragão e em todas as suas análises se adivinha a presença discreta e determinante da mãe que todos perderam antes dos 20 anos de idade.
D. Filipa adoeceu gravemente com a peste nas vésperas da partida da expedição para Ceuta, fez a entrega das espadas aos seus três filhos mais velhos e morreu no dia 19 de Julho de 1415 em Loures, Odivelas. Na hora da morte, D. Filipa pede aos filhos «Acima de tudo, UNIDADE e AMIZADE».
mailto:eu.maria.figueiras@gmail.com
sábado, 18 de setembro de 2010
Livro III - Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina (I)
Tenho dois livros já escritos, durante este ano de 2010, desta colecção LAGOS – PATRIMÓNIO E VIDA: Livro I – A História de Lagos até ao século XIV; Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina apenas divulgados em portais; entretanto espero que me seja dada a oportunidade de publicar em livro estes meus trabalhos. O mês de Novembro já está muito próximo; por isso, neste portal, começo por divulgar o Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina.
Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina (I)
Prefácio
Durante este ano, 2010, festejam-se em Lagos e acredito que no resto do país, os 550 anos passados sobre o falecimento do Príncipe Infante D. Henrique.
Este trabalho da colecção LAGOS – Património e Vida tem por objectivo passar a escrito o que foi a vida e a obra do Infante D. Henrique que está toda ela muito relacionada com a cidade de LAGOS.
CAP I - Como surgiu a nobreza?
A nobreza surge na História de Portugal quando os visigodos passam a governar, após a derrocada do império romano na Península Ibérica nos séculos VI, VII.
O senhor da vila, na época romana, era um homem rico que vivia na urbe e se fazia representar na vila por um feitor que levava uma vida melhor do que os homens que trabalhavam para ele, mas que tinha com eles muitas semelhanças: era da mesma raça, falava a mesma língua, tinha os mesmos gostos e os mesmos hábitos. Após as invasões bárbaras, as terras foram divididas pelos vencedores com as gentes que nelas habitavam. Agora o proprietário era visigodo, portanto estrangeiro, desempenhava uma função superior às dos naturais porque era o vencedor contra os inimigos de ambos os povos. Só ele passou a ter deveres militares e só ele podia usar armas. O visigodo não recebia educação literária, só das armas, por tradição e assim a classe eclesiástica passa a ser a detentora do saber e da erudição, conservando a cultura dos antigos.
Leovigildo, rei visigodo, estabeleceu uma nova rede de poderes com os visigodos, a nobreza, reabilitando as antigas províncias romanas à frente das quais foram colocados Duques, sediados nas urbes capitais com autoridade sobre os Condes que constituíam um último elo da cadeia do poder. A guerra e o poder eram a forma de vida dos nobres visigodos.
No entanto, durante o século XIV, todo o sistema medieval foi sendo posto em causa. A nobreza tinha perdido em grande parte, a sua importância como classe militar e não estava preparada para exercer cargos na burocracia do Estado, contudo a coroa portuguesa não podia passar sem ela: era um elemento da dignidade do Estado. Assim foram estabelecidas as contias, remunerações reais concedidas aos nobres para a sua sobrevivência em tempos de paz. A oposição a esta contia da parte dos burgueses, manifestou-se quase de imediato, pois consideravam que este montante, que era elevado para os padrões da época, era proveniente do que eles, burgueses, pagavam à coroa e não estavam dispostos a sustentar quem nada fazia.
As dificuldades por que os nobres passavam, tornavam-nos ainda mais abusadores e eram constantes as violências e reclamações da parte dos expoliados. A última solução a que o nobre podia recorrer era trabalhar, mas isso implicava renunciar à dignidade da nobreza. Havia dois casos distintos: o nobre a trabalhar por conta alheia ou por conta própria como artesão e nestes casos perdia o título de nobre ou o de trabalhar na sua própria terra e aí conservaria o seu título de nobreza.
Enquanto os nobres empobreciam, uma nova classe de ricos-homens ia surgindo: eram os mercadores da cidade e os grandes lavradores das regiões rurais. Os burgueses da urbe estavam em conflito com o povo da urbe e os burgueses do campo estavam em conflito com o povo do campo. Fernão Lopes deixou-nos um texto célebre que resume as transformações sociais que foram acontecendo, principalmente na segunda metade deste século XIV: segundo os autores da época, a história do mundo dividia-se em seis idades e a sexta seria a última. Para Fernão Lopes a revolução portuguesa de 1383-85 começara «a sétima idade na qual se levantou outro mundo novo e outra geração de gentes (...)» ❐ (continua)
Livro III – Século XV - Lagos Henriquina e pós-Henriquina (I)
Prefácio
Durante este ano, 2010, festejam-se em Lagos e acredito que no resto do país, os 550 anos passados sobre o falecimento do Príncipe Infante D. Henrique.
Este trabalho da colecção LAGOS – Património e Vida tem por objectivo passar a escrito o que foi a vida e a obra do Infante D. Henrique que está toda ela muito relacionada com a cidade de LAGOS.
CAP I - Como surgiu a nobreza?
A nobreza surge na História de Portugal quando os visigodos passam a governar, após a derrocada do império romano na Península Ibérica nos séculos VI, VII.
O senhor da vila, na época romana, era um homem rico que vivia na urbe e se fazia representar na vila por um feitor que levava uma vida melhor do que os homens que trabalhavam para ele, mas que tinha com eles muitas semelhanças: era da mesma raça, falava a mesma língua, tinha os mesmos gostos e os mesmos hábitos. Após as invasões bárbaras, as terras foram divididas pelos vencedores com as gentes que nelas habitavam. Agora o proprietário era visigodo, portanto estrangeiro, desempenhava uma função superior às dos naturais porque era o vencedor contra os inimigos de ambos os povos. Só ele passou a ter deveres militares e só ele podia usar armas. O visigodo não recebia educação literária, só das armas, por tradição e assim a classe eclesiástica passa a ser a detentora do saber e da erudição, conservando a cultura dos antigos.
Leovigildo, rei visigodo, estabeleceu uma nova rede de poderes com os visigodos, a nobreza, reabilitando as antigas províncias romanas à frente das quais foram colocados Duques, sediados nas urbes capitais com autoridade sobre os Condes que constituíam um último elo da cadeia do poder. A guerra e o poder eram a forma de vida dos nobres visigodos.
No entanto, durante o século XIV, todo o sistema medieval foi sendo posto em causa. A nobreza tinha perdido em grande parte, a sua importância como classe militar e não estava preparada para exercer cargos na burocracia do Estado, contudo a coroa portuguesa não podia passar sem ela: era um elemento da dignidade do Estado. Assim foram estabelecidas as contias, remunerações reais concedidas aos nobres para a sua sobrevivência em tempos de paz. A oposição a esta contia da parte dos burgueses, manifestou-se quase de imediato, pois consideravam que este montante, que era elevado para os padrões da época, era proveniente do que eles, burgueses, pagavam à coroa e não estavam dispostos a sustentar quem nada fazia.
As dificuldades por que os nobres passavam, tornavam-nos ainda mais abusadores e eram constantes as violências e reclamações da parte dos expoliados. A última solução a que o nobre podia recorrer era trabalhar, mas isso implicava renunciar à dignidade da nobreza. Havia dois casos distintos: o nobre a trabalhar por conta alheia ou por conta própria como artesão e nestes casos perdia o título de nobre ou o de trabalhar na sua própria terra e aí conservaria o seu título de nobreza.
Enquanto os nobres empobreciam, uma nova classe de ricos-homens ia surgindo: eram os mercadores da cidade e os grandes lavradores das regiões rurais. Os burgueses da urbe estavam em conflito com o povo da urbe e os burgueses do campo estavam em conflito com o povo do campo. Fernão Lopes deixou-nos um texto célebre que resume as transformações sociais que foram acontecendo, principalmente na segunda metade deste século XIV: segundo os autores da época, a história do mundo dividia-se em seis idades e a sexta seria a última. Para Fernão Lopes a revolução portuguesa de 1383-85 começara «a sétima idade na qual se levantou outro mundo novo e outra geração de gentes (...)» ❐ (continua)
domingo, 12 de setembro de 2010
Ponta da Piedade
11 de Setembro de 2010
Gostaria que a Ponta da Piedade não fosse ponto de embarque/desembarque de turistas para os passeios às grutas.
Passei por lá este ano e fiquei bastante triste com o que presenciei: «a sala» tem a água suja da gasolina dos barcos que lá param; há mau cheiro no ar; e tem sempre barcos esperando ...
Já não podemos nadar naquelas águas como outrora fazíamos – eram águas límpidas, ar puro, apenas se ouvia o som das águas a bater nas rochas, algum pássaro que por ali pairava ... nadávamos, sentávamo-nos nos degraus ou nas rochas e ... aquela quietude era maravilhosa e ali ficávamos em silêncio, escutando, apreciando, ... Chamávamos àquele espaço a melhor de todas as piscinas – era a Sala de Visitas da nossa Costa d'Oiro.
Quem ganha com estes passeios; estragou e como! Conduzem-nos lá e dizem-nos "Aqui é a sala." Não se pode lá entrar porque quatro, cinco, seis barcos lá estão ocupando todo o pequeno espaço, esperando turistas? sujando a água que não é mais límpida e o ar. Agora é apenas a sala deles, mas muito mal tratada!
Há tantos pontos normais para receber turistas ao longo do rio de Lagos que não vejo necessidade deste ponto e o prejuízo é muito superior ao lucro. Como cidadã natural desta cidade que amo, peço que seja proibido aquele ponto de embarque/desembarque de turistas para os passeios às grutas.❐
Gostaria que a Ponta da Piedade não fosse ponto de embarque/desembarque de turistas para os passeios às grutas.
Passei por lá este ano e fiquei bastante triste com o que presenciei: «a sala» tem a água suja da gasolina dos barcos que lá param; há mau cheiro no ar; e tem sempre barcos esperando ...
Já não podemos nadar naquelas águas como outrora fazíamos – eram águas límpidas, ar puro, apenas se ouvia o som das águas a bater nas rochas, algum pássaro que por ali pairava ... nadávamos, sentávamo-nos nos degraus ou nas rochas e ... aquela quietude era maravilhosa e ali ficávamos em silêncio, escutando, apreciando, ... Chamávamos àquele espaço a melhor de todas as piscinas – era a Sala de Visitas da nossa Costa d'Oiro.
Quem ganha com estes passeios; estragou e como! Conduzem-nos lá e dizem-nos "Aqui é a sala." Não se pode lá entrar porque quatro, cinco, seis barcos lá estão ocupando todo o pequeno espaço, esperando turistas? sujando a água que não é mais límpida e o ar. Agora é apenas a sala deles, mas muito mal tratada!
Há tantos pontos normais para receber turistas ao longo do rio de Lagos que não vejo necessidade deste ponto e o prejuízo é muito superior ao lucro. Como cidadã natural desta cidade que amo, peço que seja proibido aquele ponto de embarque/desembarque de turistas para os passeios às grutas.❐
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Comemorações Henriquinas 2010
19 de Agosto de 2010
Venho propor para as Comemorações dos 550 anos sobre a morte do Infante D. Henrique no dia 13 de Novembro deste ano o seguinte:
a) A Praça Infante D. Henrique;
b) A Rota do Infante D. Henrique.
Sobre a Praça do Infante D. Henrique, gostaria que se mantivesse onde está, com esta designação e com os testemunhos da sua história ao longo dos tempos, isto é, o que foi feito em 1960 na altura das comemorações dos 500 anos deve ser reposto e isso sabemos bem que é possível desde que haja vontade para isso. A atual estátua do Infante D. Henrique deve manter-se onde está, ela está, pouco mais ou menos, no limite do chão com o rio de Lagos/oceano Atlântico na vila henriquina de Lagos. Por isso faz todo o sentido a calçada portuguesa com desenhos de ondas do mar que havia para além de ser um trabalho tipicamente português; tudo se coadunava.
Para além disso, gostaria que no rectângulo em frente da igreja de Santa Maria fosse colocado no centro um coreto modelo século XIX que nos recordasse o coreto e a época em que foi lá colocado. Gostaria que também fosse colocado neste rectângulo um pelourinho modelo séculos XVI-XVII a recordar o que lá existiu e aquela época. Esta praça primeiro chamou-se Praça dos Touros e após a designação passou a ser Praça do Pelourinho (PAULA, 1992, p.174). Gostaria que fosse colocado no canto igreja de Santa Maria/Armazém Regimental.
Assim que fosse possível, gostaria que fossem reconstruídos o Castelo que foi construído ainda primeiro do que a primitiva muralha de Lacóbriga no século IV antes da nossa era, muito antes dos mouros ocuparem esta terra e o Palácio dos Governadores, sendo o hospital retirado do lugar onde está para outro lugar mais adequado. No Jardim da Constituição gostaria que, de alguma maneira, a mais adequada, fosse compreensível para todos nós como se processava o desembarque/embarque de passageiros e mercadorias pelo Cais Velho, Porta do Cais, Alfândega porque é muito importante para todos nós, mas principalmente para os estudantes.
Dentro da mesma linha de pensamento, gostaria que a atual Praça Gil Eanes recordasse a antiga Praça Ribeira das Naus com a Fonte das Oito Bicas, a Porta de S. Roque e a Gárgula de Aguada das embarcações. Com vontade, podemos tornar a nossa cidade numa das Cidades Europeias ligadas ao Comércio das Especiarias como há as Cidades Europeias Medievais. São elas: Génova, Veneza, Sevilha, Lagos, Lisboa, Antuérpia, Amsterdão.
Relativamente a uma nova estátua para estas comemorações, acho mais adequado colocá-la na zona nova da cidade numa avenida/ praceta, largo (...) do Infante D. Henrique que não vai em nada prejudicar a Praça Infante D. Henrique que existe. Não esquecer a importância do caminho de Lagos a Sagres e a povoação Raposeira que também merece estátua.
Também gostaria que se criasse a Rota do Infante D. Henrique e os Descobrimentos. Esta rota começa no Porto onde ele nasceu e saiu a primeira expedição para Ceuta; passa para Lisboa onde viveu a sua infância/adolescência (...); depois passa para a Inglaterra onde passava férias com os seus familiares; depois passa para Lagos – Sagres – Raposeira; depois passa para Ceuta; depois passa para o descobrimento das ilhas do Atlântico; depois passa para a costa ocidental africana, a costa oriental africana e a seguir o caminho marítimo para a Índia e a própria Índia.
Este foi o grandioso projecto do Infante D. Henrique que se concretizou para além da sua vida terrena, mas a pessoa celeste Infante D. Henrique é imortal e a concretização de tudo o que ele projectou também.
Assim também se podem comemorar os 550 anos sobre a morte do Infante D. Henrique.❐
BIBLIOGRAFIA
PAULA, Rui M.; Lagos – evolução urbana e património; edição de Câmara Municipal de Lagos; Lagos, Outubro de 1992.
Venho propor para as Comemorações dos 550 anos sobre a morte do Infante D. Henrique no dia 13 de Novembro deste ano o seguinte:
a) A Praça Infante D. Henrique;
b) A Rota do Infante D. Henrique.
Sobre a Praça do Infante D. Henrique, gostaria que se mantivesse onde está, com esta designação e com os testemunhos da sua história ao longo dos tempos, isto é, o que foi feito em 1960 na altura das comemorações dos 500 anos deve ser reposto e isso sabemos bem que é possível desde que haja vontade para isso. A atual estátua do Infante D. Henrique deve manter-se onde está, ela está, pouco mais ou menos, no limite do chão com o rio de Lagos/oceano Atlântico na vila henriquina de Lagos. Por isso faz todo o sentido a calçada portuguesa com desenhos de ondas do mar que havia para além de ser um trabalho tipicamente português; tudo se coadunava.
Para além disso, gostaria que no rectângulo em frente da igreja de Santa Maria fosse colocado no centro um coreto modelo século XIX que nos recordasse o coreto e a época em que foi lá colocado. Gostaria que também fosse colocado neste rectângulo um pelourinho modelo séculos XVI-XVII a recordar o que lá existiu e aquela época. Esta praça primeiro chamou-se Praça dos Touros e após a designação passou a ser Praça do Pelourinho (PAULA, 1992, p.174). Gostaria que fosse colocado no canto igreja de Santa Maria/Armazém Regimental.
Assim que fosse possível, gostaria que fossem reconstruídos o Castelo que foi construído ainda primeiro do que a primitiva muralha de Lacóbriga no século IV antes da nossa era, muito antes dos mouros ocuparem esta terra e o Palácio dos Governadores, sendo o hospital retirado do lugar onde está para outro lugar mais adequado. No Jardim da Constituição gostaria que, de alguma maneira, a mais adequada, fosse compreensível para todos nós como se processava o desembarque/embarque de passageiros e mercadorias pelo Cais Velho, Porta do Cais, Alfândega porque é muito importante para todos nós, mas principalmente para os estudantes.
Dentro da mesma linha de pensamento, gostaria que a atual Praça Gil Eanes recordasse a antiga Praça Ribeira das Naus com a Fonte das Oito Bicas, a Porta de S. Roque e a Gárgula de Aguada das embarcações. Com vontade, podemos tornar a nossa cidade numa das Cidades Europeias ligadas ao Comércio das Especiarias como há as Cidades Europeias Medievais. São elas: Génova, Veneza, Sevilha, Lagos, Lisboa, Antuérpia, Amsterdão.
Relativamente a uma nova estátua para estas comemorações, acho mais adequado colocá-la na zona nova da cidade numa avenida/ praceta, largo (...) do Infante D. Henrique que não vai em nada prejudicar a Praça Infante D. Henrique que existe. Não esquecer a importância do caminho de Lagos a Sagres e a povoação Raposeira que também merece estátua.
Também gostaria que se criasse a Rota do Infante D. Henrique e os Descobrimentos. Esta rota começa no Porto onde ele nasceu e saiu a primeira expedição para Ceuta; passa para Lisboa onde viveu a sua infância/adolescência (...); depois passa para a Inglaterra onde passava férias com os seus familiares; depois passa para Lagos – Sagres – Raposeira; depois passa para Ceuta; depois passa para o descobrimento das ilhas do Atlântico; depois passa para a costa ocidental africana, a costa oriental africana e a seguir o caminho marítimo para a Índia e a própria Índia.
Este foi o grandioso projecto do Infante D. Henrique que se concretizou para além da sua vida terrena, mas a pessoa celeste Infante D. Henrique é imortal e a concretização de tudo o que ele projectou também.
Assim também se podem comemorar os 550 anos sobre a morte do Infante D. Henrique.❐
BIBLIOGRAFIA
PAULA, Rui M.; Lagos – evolução urbana e património; edição de Câmara Municipal de Lagos; Lagos, Outubro de 1992.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Brazão Quinhentista de Lagos
12 de Agosto de 2010
Sobre O Brazão Quinhentista da Vila de Lagos
"A cidade de Lagos tem Brazão de Armas dado por el-rei D. Manuel I em 1504, quando Lagos era vila. Este Brazão consiste em dois castelos pegados um ao outro, divididos por baixo com um arco em porta. Sobre esta porta está outro castelo como servindo de remate aos dois primeiros. Por baixo dos castelos vêem-se ondas e mar levantado e de cada lado uma lança levantada (MARTINS; 1990). Puseram este Brazão no frontespício da igreja/ermida de Nossa Senhora da Graça, junto da Porta da Vila, devendo concluir-se por ser este edifício público o mais antigo daquele tempo e talvez seja o Brazão a que se refere o Tomo VI da igreja de Santa Maria Tít. 21 que diz ser um escudo coroado. Contudo não há vestígios deste Brazão e dos dois castelos.
Sendo Lagos, Vila Notável feita por D. João I em 1402 parece que este lhe devia dar Brazão de Armas." (MARTINS; 1992; p. 106) ❐
comentário
O Brazão de Armas concedido por el-rei D. Manuel I em 1504, juntamente com o Foral à Vila de Lagos, acredito que representa o seguinte:
dois castelos – a dualidade desta vila entre a vila murada, nobre e com funções defensivas com a igreja de Nossa Senhora da Graça junto à Porta da Vila e o núcleo extramuros, de produção; na altura já com a igreja e paróquia de S. Sebastião.
Outro castelo servindo de remate aos dois primeiros – a única paróquia da vila na fase henriquina, a igreja de Santa Maria da Graça na rua Nossa Senhora da Graça, com a qual o Infante D. Henrique pretendeu unificar a vila a acabar com as inimizades entre os dois núcleos.
Sobre arco em forma de porta – simboliza a igreja de Santa Maria da Graça/a vila de Lagos com porta virada para o mar. Não dois blocos, frente a frente, inimigos; mas agora toda a vila de Lagos virada para o mar, dele recebendo e dele enviando; enfim, vivendo com ele.
De cada lado uma lança levantada – simboliza a defesa de toda a vila que vai ser murada por D. Manuel I mais tarde, em 1520.
Os decisores de Lagos pegaram neste Brazão de Armas e colocaram-no no frontespício da igreja/ermida de Nossa Senhora da Graça, nesta altura sem culto porque eles queriam a situação de dualidade e não gostaram do significado do Brazão, pois para eles aquela igreja era a verdadeira igreja da vila, apesar de abandonada.
Acredito que D. João I deu o título de Vila Notável a Lagos, mas não lhe deu Brazão porque o seu reinado foi pleno de muitas peocupações e ocupações e o início de uma nova dinastia. D. João I não se lembraria de Brazão para nenhuma vila. Acho que não achava isso tão importante. Agora o título de Vila Notável com assento no Terceiro Banco das Cortes de Évora; isso sim era importante para Lagos, mas também para D. João I ter partidários fiéis nas Cortes a defender as suas posições.
Esta é a minha tese.❐
BIBLIOGRAFIA
MARTINS José António de Jesus; A Freguesia de Santa Maria (do Concelho de Lagos) – Estudo Histórico (Monográfico); 1.a edição; Lagos; edição da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lagos; Setembro de 1992; pp. 168.
Sobre O Brazão Quinhentista da Vila de Lagos
"A cidade de Lagos tem Brazão de Armas dado por el-rei D. Manuel I em 1504, quando Lagos era vila. Este Brazão consiste em dois castelos pegados um ao outro, divididos por baixo com um arco em porta. Sobre esta porta está outro castelo como servindo de remate aos dois primeiros. Por baixo dos castelos vêem-se ondas e mar levantado e de cada lado uma lança levantada (MARTINS; 1990). Puseram este Brazão no frontespício da igreja/ermida de Nossa Senhora da Graça, junto da Porta da Vila, devendo concluir-se por ser este edifício público o mais antigo daquele tempo e talvez seja o Brazão a que se refere o Tomo VI da igreja de Santa Maria Tít. 21 que diz ser um escudo coroado. Contudo não há vestígios deste Brazão e dos dois castelos.
Sendo Lagos, Vila Notável feita por D. João I em 1402 parece que este lhe devia dar Brazão de Armas." (MARTINS; 1992; p. 106) ❐
comentário
O Brazão de Armas concedido por el-rei D. Manuel I em 1504, juntamente com o Foral à Vila de Lagos, acredito que representa o seguinte:
dois castelos – a dualidade desta vila entre a vila murada, nobre e com funções defensivas com a igreja de Nossa Senhora da Graça junto à Porta da Vila e o núcleo extramuros, de produção; na altura já com a igreja e paróquia de S. Sebastião.
Outro castelo servindo de remate aos dois primeiros – a única paróquia da vila na fase henriquina, a igreja de Santa Maria da Graça na rua Nossa Senhora da Graça, com a qual o Infante D. Henrique pretendeu unificar a vila a acabar com as inimizades entre os dois núcleos.
Sobre arco em forma de porta – simboliza a igreja de Santa Maria da Graça/a vila de Lagos com porta virada para o mar. Não dois blocos, frente a frente, inimigos; mas agora toda a vila de Lagos virada para o mar, dele recebendo e dele enviando; enfim, vivendo com ele.
De cada lado uma lança levantada – simboliza a defesa de toda a vila que vai ser murada por D. Manuel I mais tarde, em 1520.
Os decisores de Lagos pegaram neste Brazão de Armas e colocaram-no no frontespício da igreja/ermida de Nossa Senhora da Graça, nesta altura sem culto porque eles queriam a situação de dualidade e não gostaram do significado do Brazão, pois para eles aquela igreja era a verdadeira igreja da vila, apesar de abandonada.
Acredito que D. João I deu o título de Vila Notável a Lagos, mas não lhe deu Brazão porque o seu reinado foi pleno de muitas peocupações e ocupações e o início de uma nova dinastia. D. João I não se lembraria de Brazão para nenhuma vila. Acho que não achava isso tão importante. Agora o título de Vila Notável com assento no Terceiro Banco das Cortes de Évora; isso sim era importante para Lagos, mas também para D. João I ter partidários fiéis nas Cortes a defender as suas posições.
Esta é a minha tese.❐
BIBLIOGRAFIA
MARTINS José António de Jesus; A Freguesia de Santa Maria (do Concelho de Lagos) – Estudo Histórico (Monográfico); 1.a edição; Lagos; edição da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lagos; Setembro de 1992; pp. 168.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
LAGOS - Vila Notável em 1402
09 de Agosto de 2010
Sobre Lagos – Vila Notável
A 08 de Fevereiro de 1402, o rei D. João I concede o título de Notável à Vila de Lagos. Porquê?
Primeiro, este facto estava em documento dos arquivos da Câmara Municipal de Lagos, segundo afirmam os Priores da paróquia de Santa Maria de Lagos de finais do século XIX e outro de princípios do século XX. Contudo, este documento foi destruído num dos incêndios que flagelaram esta Câmara e já não há mais prova escrita, mas acredito que ambos eram pessoas idóneas e podemos confiar na sua palavra.
Segundo, acho muito viável que D. João I tenha dado título de Notável à Vila de Lagos porque acredito que tanto o alcaide como a população terão tomado o partido de D. João (I) desde o primeiro momento pelos mesmos motivos de muitas outras vilas e possivelmente destacou-se nas suas posições. Assim que as coisas acalmaram no reino, D. João I premiou-a com esse título e não a esqueceu.
Esta é a minha tese.❐
BIBLIOGRAFIA
MARTINS José António de Jesus; A Freguesia de Santa Maria (do Concelho de Lagos) – Estudo Histórico (Monográfico); 1.a edição; Lagos; edição da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lagos; Setembro de 1992; pp.97-98, 102.
Sobre Lagos – Vila Notável
A 08 de Fevereiro de 1402, o rei D. João I concede o título de Notável à Vila de Lagos. Porquê?
Primeiro, este facto estava em documento dos arquivos da Câmara Municipal de Lagos, segundo afirmam os Priores da paróquia de Santa Maria de Lagos de finais do século XIX e outro de princípios do século XX. Contudo, este documento foi destruído num dos incêndios que flagelaram esta Câmara e já não há mais prova escrita, mas acredito que ambos eram pessoas idóneas e podemos confiar na sua palavra.
Segundo, acho muito viável que D. João I tenha dado título de Notável à Vila de Lagos porque acredito que tanto o alcaide como a população terão tomado o partido de D. João (I) desde o primeiro momento pelos mesmos motivos de muitas outras vilas e possivelmente destacou-se nas suas posições. Assim que as coisas acalmaram no reino, D. João I premiou-a com esse título e não a esqueceu.
Esta é a minha tese.❐
BIBLIOGRAFIA
MARTINS José António de Jesus; A Freguesia de Santa Maria (do Concelho de Lagos) – Estudo Histórico (Monográfico); 1.a edição; Lagos; edição da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lagos; Setembro de 1992; pp.97-98, 102.
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